Abre e fecha, abre e fecha: Irã volta a restringir tráfego no Estreito de Ormuz e eleva tensão com os EUA
Passagem permanece sob controle das Forças Armadas iranianas e seguirá com limitações enquanto o bloqueio dos EUA aos portos iranianos continuar em vigor
O Irã anunciou neste sábado (18) a retomada das restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. A decisão, confirmada por um porta-voz militar à agência estatal Tasnim, sinaliza uma nova escalada na crise com os Estados Unidos e aumenta a pressão sobre o mercado global de energia.
De acordo com o Quartel-General Central Khatam al-Anbia, o controle da passagem voltou a ser exercido de forma rigorosa pelas Forças Armadas iranianas. A medida, segundo o governo de Teerã, permanecerá em vigor enquanto durar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. “O Estreito de Ormuz está novamente sob controle total das Forças Armadas, com gestão rigorosa da navegação”, afirmou o porta-voz.
Crise no Estreito de Ormuz: Irã endurece posição
A decisão ocorre após o Irã ter sinalizado, na sexta-feira (17), uma possível reabertura da rota — movimento rapidamente revertido diante da manutenção das sanções e da presença militar norte-americana na região. O estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, tornou-se o epicentro de uma disputa geopolítica que envolve segurança energética e interesses estratégicos globais.
Trump mantém bloqueio e presença militar
Em meio à escalada, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o bloqueio naval contra o Irã seguirá ativo até a conclusão total das negociações entre os países. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que a presença militar norte-americana na região continuará.
“O Estreito de Ormuz está aberto ao tráfego global, mas o bloqueio ao Irã permanece em pleno vigor até que as negociações sejam concluídas”, escreveu. Segundo ele, o acordo pode ser finalizado rapidamente, já que “a maioria dos pontos já foi negociada”.
Negociações internacionais e pressão diplomática
A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais exigências dos Estados Unidos nas negociações mediadas pelo Paquistão. Paralelamente, líderes europeus também se mobilizam para conter a crise. Na sexta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram representantes de dezenas de países — sem a participação dos EUA — para discutir alternativas diplomáticas.
Impacto no petróleo e no mercado global
A instabilidade no estreito já impacta diretamente o mercado internacional de petróleo. A interrupção parcial do fluxo nas últimas semanas provocou alta nos preços da commodity, elevando o alerta em economias dependentes da importação de energia.
Dados da plataforma de monitoramento marítimo Kpler indicam que, antes da nova restrição, houve uma breve retomada das exportações iranianas. Três petroleiros deixaram o Golfo transportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto — os primeiros embarques desde o início do bloqueio norte-americano.
Tensão segue elevada
O novo endurecimento do Irã reforça o cenário de incerteza no Oriente Médio e mantém o Estreito de Ormuz no centro das atenções globais. Com interesses militares, econômicos e diplomáticos em jogo, a crise segue sem solução imediata e com potencial de novos desdobramentos nos próximos dias.
Deixe sua opinião: