Política

A reação de Flávio e Eduardo Bolsonaro à condenação do pai

Bolsonaristas cogitam propor sanções contra outros ministros da Primeira Turma: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Luiz Fux, por ter votado pela absolvição, teria sido poupado da lista


Reprodução A reação de Flávio e Eduardo Bolsonaro à condenação do pai
Flávio e Eduardo Bolsonaro

Com a formação de maioria no Supremo Tribunal Federal (STF) pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar a Corte. Nas redes sociais, ele acusou os ministros de perseguirem seu pai e chamou Alexandre de Moraes de “ditador”.

“A pretexto de defender a democracia, os pilares da democracia foram quebrados para condenar um inocente que ousou não se curvar a um ditador chamado Alexandre de Moraes. Suprema perseguição. Querem matar Bolsonaro”, escreveu no X. Em seguida, elogiou Luiz Fux — o único ministro a votar pela absolvição do ex-presidente — e criticou o que chamou de “joguinho combinado” entre os demais magistrados.

Reações de Eduardo Bolsonaro

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), principal articulador político do pai no exterior, também se manifestou. Em publicação no Instagram, afirmou que “Graças a Deus” ele e o ex-presidente contam com “o aliado mais poderoso do mundo” e prometeu que irão “virar esse jogo”.

Em vídeo, Eduardo comparou o STF a regimes autoritários do século XX e voltou a criticar Alexandre de Moraes. “Você imagina Stalin, Hitler, Mao Tse Tung, Che Guevara, Fidel Castro falando: ‘agora vamos voltar ao normal’. Meu Deus do céu! Graças a Deus que a gente tem um aliado mais poderoso do mundo do nosso lado, e a gente vai virar esse jogo”, disse.

Pressão internacional

Residente temporariamente nos Estados Unidos, Eduardo tem intensificado contatos políticos com aliados de Donald Trump. Ele defende que Washington mantenha sanções contra o Brasil e atribui parte do tarifaço sobre produtos brasileiros à condenação de Bolsonaro.

Segundo o influenciador Paulo Figueiredo, que acompanha Eduardo nos EUA, ambos estariam repassando “em tempo real” informações do julgamento ao governo norte-americano. Figueiredo declarou ainda que já há discussões para incluir Alexandre de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

Aliados do grupo também cogitam propor sanções contra outros ministros da Primeira Turma: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Luiz Fux, por ter votado pela absolvição, teria sido poupado da lista.

Condenação e próximos passos

A condenação foi consolidada nesta quinta-feira (11) com o voto da ministra Cármen Lúcia, que destacou haver “prova cabal” de que Bolsonaro liderou uma organização criminosa para promover um golpe de Estado. O último a votar será Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, que deve acompanhar o relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino.

A sentença abrange os crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado. Com a decisão, cabe ao STF definir se Bolsonaro cumprirá pena em cela especial da Polícia Federal ou no Complexo da Papuda, em Brasília.

Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, monitorado por tornozeleira eletrônica.

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