A “nova safra” de velhas raposas: governadores em campanha contra Lula
No BTG, governadores atacam Lula, bajulam o mercado e protegem golpistas — a ‘nova safra’ com cheiro de mofo
Governadores no BTG: o baile dos oportunistas
O evento do BTG Pactual, vendido como encontro para “debater o agronegócio”, foi na verdade um desfile de egos e ambições eleitorais. Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior subiram ao palco para vender a imagem de “nova geração” da política — mas, na prática, se comportaram como velhos conhecidos: oportunistas, bajuladores de mercado e caçadores de holofotes.
Enquanto Lula, ainda operário, liderava greves históricas sob o tacão da ditadura, eles eram o quê? Estagiários de gabinete? Aspirantes a tecnocratas obedientes? Lula fundou o maior partido da América Latina, o PT — com base popular, ideologia e história. E eles? Filhotes de siglas nanicas e fisiológicas, criadas para negociar cargos e favores.
O agronegócio ingrato e o palco da mediocridade
Não há ironia maior do que ver o agronegócio, hiperbeneficiado nos governos Lula, aplaudir ataques contra ele. Crédito farto, obras de infraestrutura, abertura de mercados — tudo isso vem, em boa parte, da era petista. Mas, na primeira oportunidade, correm para ouvir políticos medíocres venderem “ajuste fiscal” como solução mágica para um país desigual. É a velha história: mordem a mão que os alimenta e ainda pedem sobremesa.
As críticas recheadas de hipocrisia
Tarcísio de Freitas se deu ao luxo de dizer que “o Brasil não aguenta mais corrupção, não aguenta mais o PT, não aguenta mais o Lula”. Falou como se tivesse descoberto a fórmula mágica da honestidade, quando sua própria base política ainda lambe as botas de Jair Bolsonaro — réu por planejar um golpe. É fácil fazer discurso moralista quando se finge que o golpismo não existiu.
Ronaldo Caiado, mais inflamado, pediu que empresários “criassem juízo” e ajudassem a derrotar Lula, para evitar a tal “socialização” que ele demoniza. Para Caiado, governar é repetir o catecismo liberal do mercado, mesmo que isso signifique fechar os olhos para a desigualdade e para o desmonte de políticas públicas. É curioso: fala em “responsabilidade” econômica, mas apoia a anistia ampla para os criminosos do 8 de Janeiro.
Eduardo Leite preferiu o tom professoral: disse que o Brasil “precisa virar a página” e que Lula concorreu em “sete das dez eleições desde a redemocratização”. Traduzindo: quer vender a ideia de renovação enquanto se alia a velhos caciques e partidos que sobrevivem de conchavos. Falar em “virar a página” enquanto se abraça ao fisiologismo é, no mínimo, cinismo político.
Ratinho Júnior, por sua vez, chamou aquele grupo de “a melhor safra de governadores dos últimos 30 anos” e acusou o governo de “não saber onde quer chegar”. Safra? Talvez, mas de incoerência e oportunismo. Afinal, para ele, a situação de Bolsonaro “não é mais importante” que a relação comercial com os EUA — discurso conveniente para quem não quer se indispor com o bolsonarismo, mas também não tem coragem de enfrentar Washington.
A coragem seletiva de quem só enfrenta Lula
A dissimulação é a marca registrada dessa trupe. São valentes para criticar Lula, mas viram cordeiros quando se trata de enfrentar as investidas contra a soberania brasileira vindas dos Estados Unidos. Batem no presidente, mas não soltam um pio sobre Eduardo Bolsonaro — o traidor que trabalha no exterior contra os interesses do Brasil. E, claro, fazem vista grossa para Jair Bolsonaro, réu por conspirar contra a democracia. Golpismo, para eles, é detalhe.
O legado vazio
O que eles entregaram aos seus estados? Privatizações mal explicadas, cortes cegos e parcerias público-privadas vendidas como “inovação”. Nada que mude estruturalmente a vida da população. Nada que entre para a história como ato de grandeza. Enquanto Lula é citado em cúpulas internacionais como exemplo de inclusão social e soberania, eles disputam quem agrada mais o mercado e a extrema direita.
A “nova safra” é velha de alma
Eles se vendem como “nova safra”, mas o cheiro é de mofo. É a velha política disfarçada de modernidade, a mesma que diz defender o povo mas serve aos interesses de poucos. Se dependesse deles, o Brasil voltaria a ser quintal de potências estrangeiras e laboratório de reformas contra os trabalhadores.
Lula já sobreviveu a ditadura, prisão política, campanhas de ódio e derrotou todos os seus adversários nas urnas. A esses quatro, restará disputar entre si quem será o segundo colocado.
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