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1981 ou 2025, qual o melhor Flamengo ?

Uma nova geração pode alcançar o feito por Zico, Júnior, Rondinelli, Andrade, Adílio, Mozer


Reprodução 1981 ou 2025, qual o melhor Flamengo ?
Qual o melhor Flamengo ?

A final do Mundial contra o PSG reacende o debate sobre a maior geração do Flamengo, colocando frente a frente o time atual e o histórico elenco de 1981. O grupo liderado por Zico segue como referência absoluta por ter conquistado Libertadores e Mundial e fundado a identidade vencedora do clube. Já a geração recente, dominante desde 2019, acumula títulos nacionais e continentais, mas ainda busca a consagração mundial. Um eventual triunfo em Doha não apagaria 1981, mas ampliaria o legado rubro-negro.

O QUE ACONTECEU 

A velha pergunta volta a ecoar em momentos decisivos: qual Flamengo é maior, o de hoje ou o de 1981? A final do Mundial Intercontinental contra o Paris Saint-Germain, nesta quarta-feira (17), às 14h (de Brasília), em Doha, recoloca o debate no centro da cena rubro-negra. Em campo, está uma geração vitoriosa, dominante no Brasil e na América do Sul, mas que ainda persegue um feito que segue sendo o principal divisor histórico: o título mundial conquistado há mais de quatro décadas no Japão.

O Flamengo de 1981 permanece como referência absoluta. Não apenas pelos títulos — Libertadores e Mundial no mesmo ano —, mas pelo impacto estrutural que teve na história do clube. A equipe liderada por Zico, com Júnior, Leandro, Andrade, Adílio, Nunes e companhia, não só venceu: fundou uma era. Foi aquele time que projetou o Flamengo para além das fronteiras nacionais, derrotou o Liverpool por 3 a 0 com autoridade e transformou o clube em um símbolo global. Mais do que levantar taças, criou identidade, tradição e uma relação geracional que ainda hoje se manifesta nas arquibancadas.

Esse aspecto é ressaltado pelo atual técnico rubro-negro, Filipe Luís, que afasta qualquer comparação direta. Torcedor declarado do clube, ele reconhece que nenhuma geração pode ser maior do que a de 1981 justamente por ter sido a primeira a alcançar o mundo. Na avaliação do treinador, o crescimento exponencial da torcida — hoje estimada em cerca de 40 milhões — passa diretamente por aquele time histórico. Foi a geração que levou pais e filhos aos estádios, que criou ídolos eternos e que moldou o imaginário do Flamengo vencedor.

O comandante, no entanto, faz questão de sublinhar que o elenco atual busca escrever sua própria história. Desde 2019, o Flamengo conquistou três Libertadores, três Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil, além de Estaduais, Supercopas e Recopas. É uma sequência inédita na era moderna do futebol sul-americano e que consolidou o clube como potência contínua, algo raro em um cenário marcado pela perda precoce de talentos para o futebol europeu. Falta, contudo, o elemento simbólico máximo: a segunda estrela mundial.

A geração de 1981 também se diferencia pela longevidade e pela formação. Como lembra o ex-lateral Leandro, campeão do mundo no Japão, aquele grupo venceu praticamente tudo por cerca de cinco anos, com base majoritariamente formada em casa. Zico, Júnior, Rondinelli, Andrade, Adílio, Mozer e outros eram produtos da Gávea, uma geração “raiz”, que deu ao Flamengo seus primeiros grandes títulos internacionais e estabeleceu um padrão de excelência.

Ainda assim, o próprio Leandro reconhece o tamanho do desafio atual. O adversário desta quarta-feira é um PSG que figura entre os cinco melhores times do mundo, campeão da Champions League, com elenco estrelado e intensidade típica do futebol europeu. Para ele, o Flamengo precisará se fechar, ser inteligente e buscar a surpresa — mas sem abrir mão da mística rubro-negra. “Jogo é jogado”, resume, evocando o espírito imprevisível que tantas vezes acompanhou o clube.

O peso simbólico do Mundial de 1981 segue vivo inclusive na cultura popular. A música “Em dezembro de 81”, entoada em estádios no Brasil e no exterior, não é apenas memória: é cobrança e inspiração. O verso que lembra o Liverpool derrotado se transformou, ao longo dos anos, em um pedido coletivo: “o mundo de novo”.

É nesse ponto que as duas gerações se encontram e se separam. A de 1981 é eterna porque abriu o caminho, fundou a grandeza e marcou a história do futebol brasileiro. A atual, dominante desde 2019, tem a chance de não superar, mas dialogar com esse passado, ampliando-o. Se vencer o PSG, o Flamengo não apaga 1981 — ao contrário, reforça seu legado.

No fim das contas, quem ganha é o próprio clube. Cada nova conquista não diminui o passado; acrescenta capítulos a uma história que segue sendo escrita em vermelho e preto.

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