Um servidor público e um fantoche

"Eu não sou parasita"

Foto: Arquivo pessoal e google imagensUm servidor público e um fantoche
Um servidor público e um fantoche

Por Oscar de Barros, servidor público 

Em 1981 prestei concurso para o então INPS. Passei em quarto lugar e assumi o cargo em 04/10/1982.

O tempo é tanto que até a instituição trocou de nome, agora é INSS.

Lá se vão 37 anos e eu estou no batente.

No batente, com a mesma disposição dos meus 19 anos quando assumi o trabalho.

Lá se vão 37 anos e agora sou chamado de parasita.

Eu não sou parasita.

Eu sou um trabalhador do serviço público. E tenho orgulho disso.  

Eu trabalho atendendo o povo brasileiro, em particular o povo do Piauí e do Maranhão.

O público que frequenta o INSS - depois que a Constituição incorporou trabalhadores rurais e criou os benefícios assistenciais, botando o Instituto para dar conta de tudo - é um público pobre, necessitado, com pouca escolaridade e vulnerável socialmente.

E quando o dia amanhece que me dirijo ao meu bureau de trabalho vou com uma meta: tratar bem a todo aquele que eu receber, ser o mais didático possível para que entenda seus direitos e as obrigações que o Estado tem com seu povo e, por fim, atender rápido. Eu não gosto de esperar para ser atendido, se tenho este desejo, os segurados do INSS também o têm.  

Quando comecei a trabalhar em 1982, a Stela, uma colega servidora me chamava para uma pausa no labor: “menino vem tomar um café, o trabalho acaba contigo e tu não acaba com o trabalho”.

A Stela não está mais entre nós, eu não acabei com o trabalho e, embora as combalidas pernas já sintam o passar dos anos, o trabalho não acabou comigo. E o café? a garrafa de café está ali, perto do bureau, para não parar, enquanto mais um segurado é atendido.  

Eu sinto uma satisfação enorme (pode chamar de gozo, se quiser) quando atendo um segurado, tudo dá certo e ele sai satisfeito. Atingi minha meta.

E, olhe, tenho a satisfação de dizer que isto é comum!

Ao contrário, dói em meu coração ao ter que dizer a alguém que o pedido de benefício foi negado. E um número grande de indeferimentos acontece porque a pessoa não foi orientada (pelo Estado brasileiro) no tempo certo de como deveria proceder para ter a garantia de futuros benefícios.

Lá se vão 37 anos de trabalho. Nesta temporada fui testemunha de muitos presidentes que passaram pelo Palácio do Planalto, muitos ministros da Previdência Social e muitos Ministros da Fazenda/Economia.

Paulo Guedes?

Um fantoche da banca.