Um pouco sobre Facebook: para não caminhar como gado para o matadouro

Não é verdade que o Facebook seja onisciente como quer fazer crer

Foto: Siará NewsFacebook
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Por Sylvia Moretzsohn, no Facebook

Embora o Analista de Bagé que mora em mim esteja ansioso para se manifestar, não vou dizer o que penso dessa onda de avatares (no sentido mais banal da iniciativa, no sentido do estímulo a que as pessoas achem divertido usar esse recurso). Não vou dizer porque vejo vários amigos queridos entrando nessa onda e num momento tão tenso como o que estamos vivendo qualquer palavra mal colocada ou mal interpretada pode afetar sensibilidades de um modo mais profundo do que em outros momentos.

Mas, diante dos inúmeros posts que desdenham do papel dos algoritmos e da captura de dados, "porque eles já têm tudo" e "não existe privacidade", acho importante reproduzir aqui o que comentei no post de uma amiga (que, esclareço, não tem esse sentido de desdém que vi em outros lugares):

Não é verdade que o Facebook seja onisciente como quer fazer crer.

Mas é verdade que promove essa crença com sucesso.

De minha parte, acho notável a facilidade como as pessoas se expõem aqui, e isso, pelo menos em parte, tem a ver com essa crença, essa aceitação ou esse conformismo diante do que é (supostamente) inexorável.

Quanto a não haver privacidade (e não digo da vida íntima, embora muita gente a exponha, porque se sente estimulada ou compelida a isso, mas de dados que nos identificam civilmente), em tese nunca houve, desde que esses dados passaram a ser exigidos, muito antes de sonharmos com a internet. Basta pensar no que foi a reação diante da imposição da carteira de identidade, há mais de um século, e da recolha de impressões digitais para esse cadastro. O que nos parece uma banalidade, e mesmo uma obviedade, já foi motivo de revolta... A questão é que esses dados precisam ser protegidos. Antes da tecnologia digital os bancos já tinham nossos dados, mas obrigavam-se, como se obrigam hoje, a protegê-los. Por isso, dizer que não existe privacidade na internet é um absurdo: porque leva a desresponsabilizar o Estado e as empresas envolvidas nesse negócio. E, pior: nos leva a nos render a isso, como se não houvesse nada a fazer.