Terrorismo de extrema-direita volta a dar as caras

Atentado terrorista foi reivindicado pelo grupo Comando de Insurgência Popular da Grande Família Integralista Brasileira

Foto: Google ImagensAto de terror e autoridades prevaricando
Ato de terror e autoridades prevaricando

Enquanto as famílias brasileiras se reuniam para comemorar o Natal, a volta do terrorismo de extrema-direita se estabelecia no País com o ataque à sede da produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, no Bairro Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro. Duas bombas caseiras incendiárias, conhecidas como coquetéis molotov, foram arremessadas com a clara intenção de destruir o prédio da produtora do Porta dos Fundos, que vem sendo atacado por extremistas neopentecostais. Nada mais emblemático da era Bolsonaro.

O atentado terrorista reivindicado, através de vídeo divulgado nas redes sociais, por um grupo denominado Comando de Insurgência Popular da Grande Família Integralista Brasileira, recoloca em cena o Movimento Integralista, que atuou há quase 90 anos e tentou dar um golpe de estado para derrubar Vargas. Até o momento, não se tem notícia de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, tenha acionado a Polícia Federal para investigar o caso, claramente terrorista. Mais um ato de prevaricação do ministro.

De acordo com a Lei Federal nº 13.260/2016, a Lei Antiterrorismo, cabe à Polícia Federal a investigação criminal, e à Justiça Federal o seu processamento e julgamento. A investigação, portanto, iniciada pela Polícia Civil, já deveria ter sido assumida pela Polícia Federal, que, pela legislação, é o órgão competente para combater atos de terrorismo. Porém, o ataque terrorista contra o grupo Porta dos Fundos, que fere o princípio da liberdade de expressão, continua sob a alçada da Polícia Civil, que, estranhamente, minimiza o caso.

Terrorismo não classificado?

Causou espécie a declaração do subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, Fábio Barucke, afirmando que os investigadores não acreditam que o incidente foi um atentado terrorista. “Terrorismo, a princípio, não foi classificado”, disse Fábio Barucke. Os vídeos das câmeras de segurança da produtora, no entanto, desmentem a tese da Polícia Civil e deixam claro que se trata de um ato de terrorismo, assumido inclusive pelo tal Comando de Insurgência Popular da Grande Família Integralista Brasileira.

Até mesmo uma criança o identifica como um ato terrorista, mas as autoridades (in)competentes preferem desviar o gravíssimo foco das atenções, para mascarar o real significado do que aconteceu. Sendo assim, o mínimo que se espera é a elucidação do caso, o mais rápido possível, com a apuração das devidas responsabilidades, a identificação não apenas dos executores, mas de quem está por trás dessa célula integralista, que no entanto foi negada pela Frente Integralista Brasileira (FIB), aquela, dos anos 30 de Plínio Salgado.

Se os terroristas permanecerem impunes, terá sido dado o sinal verde para o retorno do terrorismo como instrumento de fazer política no Brasil, motivado por fundamentalismo religioso associado a um neofascismo que frutifica nos trópicos. Novas ações terroristas virão, certamente, com o objetivo de espalhar horror, pânico e intimidação contra a liberdade de expressão e religião, mas tal ressurgimento do integralismo tem, como no passado, pretensões muito maiores e se constitui em ameaça ao estado democrático de direito.