ROBERTO AMARAL FALA SOBRE PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO E FRENTE POLÍTICA

ROBERTO AMARAL FALA SOBRE PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO E FRENTE POLÍTICA

Foto: GoogleRoberto Amaral
Roberto Amaral
Segunda-feira, 17 de agosto, esteve em Teresina, Roberto Amaral, figura emblemática da esquerda brasileira, como bem cunhou Tarso Genro. Ele veio aqui fazer dois lançamentos, o do seu livro “A serpente sem casca” e da Frente Democrática Popular pelo Piauí. Roberto Amaral é cientista político, jornalista, escritor, conferencista, político militante, ex-Ministro de Ciência e Tecnologia e presidente do PSB até a adesão do Partido à candidatura Aécio Neves no segundo turno da eleição de 2014. Na oportunidade PENSAR PIAUÍ conversou com ele. Confira:
PENSAR PIAUÍ - Ministro, inicio perguntando sobre o Programa Espacial Brasileiro. O senhor foi um dos artífices de do acordo Brasil/Ucrânia. Recentemente, este acordo foi rompido. Como é que o senhor está vendo este quadro?
ROBERTO AMARAL - A rigor eu não estou mais vendo o Programa Espacial Brasileiro. Ele foi assassinado. O Brasil, hoje, é a única potencia com suas características, que não tem Programa Espacial. Não tem, e não terá mais, não há mais tempo de começar do zero.
PENSAR PIAUÍ - O que levou o Programa a ser “assassinado”, usando aqui sua expressão?
ROBERTO AMARAL -Uma sequencia de permanentes e fundos ataques. Ataque dos EUA que não quer que o Brasil tenha Programa Espacial – e já disse isso por escrito, não esconde. Ataque dos interesses da Rússia, junto a Força Aérea Brasileira, que quer vender o foguete deles. A incompreensão da burocracia brasileira; incompreensão de setores de dentro do próprio Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério da Defesa. Não compreenderam a importância deste Programa, sua viabilidade; não compreenderam a alternativa da cooperação. E, não compreenderam, que esta era a única forma de conseguirmos ainda com muita dificuldade um mínimo de transferência de tecnologia.
PENSAR PIAUÍ - Em julho passado, a Polícia Federal, numa ação da Operação Lava Jato prendeu Oton Pinheiro da Silva, diretor presidente licenciado da Eletronuclear. Como o senhor acompanhou isso?
ROBERTO AMARAL - O Almirante Oton atua na área nuclear. É o ícone da física nuclear brasileira, é o responsável pela autonomia tecnológica do Brasil na área no desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Nós devemos ao Almirante, a construção de competência no refinamento do Urânio. Acompanho as noticias com muita apreenção mas acima de tudo com surpresa porque eu tenho o Almirante não apenas como um patriota, homem que muito deve ao país, mas também como um homem digo, um cidadão honrado.
PENSAR PIAUÍ - No governo Sarney o senhor foi preso. Como aconteceu este fato?
ROBERTO AMARAL - No governo Sarney, quando o Ministro da Justiça era o Paulo Brossard, conhecido como o “Rui Barbosa em compota”, como dizia o Brizola, por uma idiotice do tamanho dele foi proibido no Brasil a exibição do filme Je vous salue, Marie. Um grupo de intelectuais, no Rio de Janeiro, resolveu fazer uma projeção, sabidamente ilegal, para sabidamente mostrar nosso descontentamento, a nossa repulsa à censura – já que estávamos num regime onde supúnhamos democrático. Eu participei deste ato, fui preso, e aconteceu comigo o que não aconteceu na ditadura militar. Fui espancado na Policia Federal ainda na praça Mauá.
PENSAR PIAUÍ - Vamos falar da frente lançada no Piauí. O senhor também já participou do lançamento de uma frente em Minas Gerais. O que é esta frente? Como ela atuará? Porque para o Brasil de hoje esta Frente é importante?
ROBERTO AMARAL - A única forma que as forças progressistas tem de atuar, a emergência da luta contra a direita é através da politica de frentes. É assim no Brasil e no mundo. Foi uma “Frente” na França que levou a resistência da esquerda. Aqui foi a “Frente” Ampla que levou a vitória das esquerdas no Uruguai. No Brasil foi uma “Frente” que levou à vitória as teses do movimento “O Petroleo é Nosso”. A luta pelas Diretas Já foi uma política de “Frente”, como a luta pela anistia. Nós estamos num quadro similar, a ascensão das forças de direita, do conservadorismo, do reacionarismo, de par com a lamentável debilidade dos partidos de esquerda que não estão conseguindo fazer frente a essa onda, Então entendemos que este é o momento de passarmos por cima de todas as nossa diferenças e construirmos essa politica de “Frente”. Uma “Frente” ampla, não é uma “Frente” de esquerda, aberta a todas as formas democráticas e progressistas. É uma “Frente” não eleitoral, então, não estamos pensando em eleições. É uma “Frente” popular, então deve estar cercada dos movimentos da sociedade e uma “Frente” nacional porque uma de suas prioridades é a defesa da soberania nacional. E essa “Frente” é o único instrumento que teremos em defesa dos interesses dos trabalhadores, do país e da economia nacional.

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