Que venha 2020, como piora de 2019!

O primeiro ano do governo Bolsonaro termina com a impressão de que o pior está por vir

Foto: Google Imagens2020 será pior que 2019
2020 será pior que 2019

O primeiro ano do governo Bolsonaro, considerado péssimo pelos setores progressistas e democráticos da sociedade, termina com a impressão de que o pior está por vir, exatamente em 2020 e nos anos seguintes. O que parece nítido é que o presidente Jair Bolsonaro terá dificuldades importantes para terminar seu mandato, que, oficialmente, tem mais três anos pela frente. Com certeza, ele encontrará desafios consideráveis para sequer chegar a 2021 no Palácio do Planalto.

2019 foi tão ruim para o Brasil, em função do que fez e representou o atual governo, que as projeções possíveis para 2020 consideram a hipótese de queda do presidente – através de impeachment ou renúncia –, pois sua gestão se tornará insuportável, sobretudo às camadas menos favorecidas da população. A própria classe média – hoje, os respectivos segmentos majoritários – deverá padecer tanto, que a pressão política sobre Bolsonaro se tornará um problema grave para sua governabilidade, e isso é um diferencial.

Quando se perde as condições de governabilidade, o sistema político-institucional passa a operar no sentido de derrubar o chefe do Executivo, ainda mais neste País, cuja tradição golpista é assombrosa. Se houver uma combinação de multidões protestando nas ruas e grande imprensa trabalhando para desgastar o governo, através de denúncias, investigações e críticas, as engrenagens institucionais serão acionadas para derrubá-lo. Não por meio de golpe, mas em função das características deletérias e autodestrutivas do próprio bolsonarismo.

Desfecho previsível

Chegando a um ponto determinado, o presidente se transformará em alvo de movimentos hostis e reprovativos no Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), e o desfecho desse processo, já iniciado, é bem previsível e do conhecimento de todos. Pesa contra Bolsonaro 2019, o primeiro ano de seu mandato, caracterizado pelo fracasso de sua gestão, que não produziu qualquer resultado positivo da política econômica, embora a mídia venha iludindo a população com a ideia de que o crescimento foi retomado.

Para além dos dados manipulados, a passar a impressão de que está ocorrendo um aquecimento da economia, e bobagens como a alta recorde da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a verdade é que o País continua tecnicamente em recessão. Pois o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), menor do que 1%, é bem inferior à inflação de 2019. A notícia duvidosa de que foram gerados perto de um milhão de empregos formais é na verdade um atestado de incompetência diante do atual contingente superior a 13 milhões de desempregados.

Outro ponto negativo do primeiro ano Bolsonaro foi a reforma da previdência, que na prática destruiu as aposentadorias. Como disse o ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, os mais pobres “jamais vão alcançar 65 anos de idade com 40 de contribuição na demografia brasileira”. No entanto, as suspeitas relacionadas à criminalidade do clã, se intensificando e agravando a crise política, conjugadas ao fundamentalismo e estultice de parte de seu ministério, poderão ser a gota d’água para esse governo. Que venha 2020!