Os anos de chumbo na política de José de Freitas

José de Freitas completa 144 anos de emancipação política e Francisco de Assis Alves de Oliveira conta histórias da cidade

Foto: DivulgaçãoAnos de chumbo
Anos de chumbo

Por Francisco de Assis Alves de Oliveira, Historiador

Historicamente, as disputas políticas no Brasil foram e ainda são marcadas por violências diversas. José de Freitas-PI não foge à essa triste realidade. Atos de agressão, ameaças, insultos, panos de facão e até assassinatos de políticos são episódios registrados na história política de José de Freitas-PI.

Dentro deste contexto de violência na política de José de Freitas-PI, registra-se diversos episódios que marcaram a história política da cidade que passaremos a narrar sucintamente: Primeiro, um disparo de arma de fogo (rifle) contra um sistema de som que na época funcionava como uma espécie de rádio silenciou um candidato, no exato momento em que ele fazia um discurso.

O sistema de som pertencia ao adversário político de José de Araújo Chaves, que além de participar ativamente da vida política da cidade, trabalhou por muitos anos no segmento de transportes. Foi dono de uma empresa de ônibus, Livramento. A fonte pesquisada, que viveu à época do fato, informa que o acontecimento se deu por volta de 1963. Nas disputas políticas, os adversários, às vezes, costumam se acusar de parte a parte, um atingindo a honra do outro.

De acordo com a fonte pesquisada,  existia um megafone amplificador de voz colocado no alto de uma estaca de madeira, instalado no centro da praça da matriz pertencente a um político da família Freitas. Antes do advento do rádio, era muito comum o uso desse equipamento para transmitir notícias, fazer discurso político etc. No microfone da amplificadora estava o adversário de José Chaves proferindo um discurso e atingindo a sua honra  com xingamentos.

Ele não suportou ouvir aquela infâmia assacada contra a sua pessoa, saiu de casa com um  rifle na mão e atirou na estrutura de som, que logo interrompeu o discurso do adversário. A voz daquele que lhe caluniava foi silenciada. O megafone amplificador de voz caiu e se esfarelou no chão todo perfurado de bala.

Devido essas disputas políticas que envolveram a linha das gerações anteriores, um fato curioso se verificou no terminal rodoviário da cidade: O nome do homenageado, José de Araújo Chaves foi retirado.  Durante todo o período em que decorreu os mandatos do prefeito Robert Freitas a rodoviária ficou sem o nome do homenageado. O Prefeito mandou apagar o nome do homenageado, José de Araújo Chaves a pretexto de reformar a rodoviária. Deu-se como concluída a reforma, ainda assim o nome não retornou ao local. O prefeito que imediatamente lhe sucedeu voltou a gravar o nome do homenageado na fachada principal do terminal rodoviário.

Também, o uso da violência para resolver as diferenças políticas se verificou em 1990, o Prefeito José Geraldo Pontes Linhares foi alvejado com um tiro de arma de fogo. Trata-se de mais um episódio que simboliza os anos de chumbo na história política da cidade. No mesmo dia da morte do prefeito o então vereador Antônio Pinto, que o acompanhava foi alvejado. Como consequência dos tiros perdeu os movimentos das pernas e hoje é portador de necessidades especiais. Novamente a  história da cidade é manchada de sangue, desta vez foi o ex-vereador Fernando Freitas que assassinou a tiro, na saída do prédio da Câmara Municipal um homem que golpeou-lhe o rosto com panos de facão.

Em vista dos fatos apresentados pode-se afirmar que as disputas entre grupos políticos em José de Freitas- PI são caracterizadas pelo  derramamento de sangue. As tensões políticas se fazem sentir em um prefeito atingido por bala, mortalmente; um vereador paraplégico; um cidadão do povo assassinado a tiro, dentre outros casos menores. A base de pesquisa aqui adotada é a fonte oral.