O pior da economia brasileira está por vir

As perspectivas reais, para 2020, apontam para uma conjuntura ainda pior, com o aprofundamento da recessão e o desemprego nas alturas

Foto: VejaMinistro Paulo Guedes
Ministro Paulo Guedes

O caráter oficial do resultado do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 1,1%, teve um impacto político que o governo Bolsonaro não esperava. Ora, sabia-se que a economia teria um crescimento pífio, em 2019, como resultado da desastrosa política econômica neoliberal ou ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. Aliás, desde o início de janeiro do ano passado, quando o ministro anunciou suas primeiras medidas, como a draconiana reforma da previdência, já se sabia que não haveria crescimento econômico.

Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro, todo o governo, a grande maioria dos parlamentares do Congresso Nacional, a mídia e economistas a serviço do mercado diziam, dia após dia, hora após hora, que haveria uma retomada do crescimento do PIB. Desde que fossem feitas as tais reformas, a ferro e fogo, todas elas, na verdade, destinadas a retirar direitos sociais dos trabalhadores, precarizar o trabalho, praticamente destruir a aposentadoria e outras tantas ações, que, de acordo com o discurso do governo, eram imprescindíveis.

A mentira era repetida por jornalistas, no Jornal Nacional, por exemplo, e em praticamente toda a imprensa, massificando a ideia, manipulando a população, de que as tais medidas amargas fariam com que a economia voltasse a crescer e gerar centenas de milhares ou milhões de empregos. Essa balela, repetida milhões de vezes, fez com que a população – em especial, os eleitores e apoiadores de Bolsonaro – se comportasse como o gado que sabe que está sendo conduzido ao matadouro, conformado com a própria morte iminente.

Enganosa reação

Já no final de 2019, chamou a atenção a escandalosa ofensiva da imprensa para, mais uma vez, mentir, distorcer os fatos, manipular a informação, de modo a enganar o povo, sobre uma suposta reação da economia, que estaria impulsionada pelas compras de Natal. Sustentava-se, enfaticamente, que o comércio – e toda a economia – festejaria o falso acontecimento como sendo o início de uma retomada, em consequência da política econômica neoliberal do Paulo Guedes.

O fato é que, apesar de toda a manipulação midiática, em torno da política econômica oficial, se sabia que o País não iria crescer. Pelo contrário, o esperado era que a economia permanecesse estagnada ou em recessão, o que, de certo modo, acontece, pois o crescimento de 1,1% do PIB, comparado à inflação de 4,31%, em 2019, configuraria quadro de recessão técnica. O governo nada conseguiu fazer de concreto, para reduzir o desemprego formal, que se mantém na casa das 12 milhões de pessoas economicamente ativas.

As exportações estão caindo, muito em função de uma série de barbaridades cometidas nos campos político e geopolítico, e a determinação generalizada de cortar ou contingenciar cortes de gastos e investimentos públicos definitivamente só poderiam resultar no “pibinho” de Bolsonaro. As perspectivas reais, para 2020, apontam para uma conjuntura ainda pior, com o aprofundamento da recessão, o desemprego nas alturas e a manutenção da informalidade explosiva, que atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores. O pior está por vir.