Política

O melancólico e tenebroso 1º ano de Bolsonaro

Os cidadãos que apenas desejam trabalhar, estudar, melhorar de vida e ser feliz estão cansando ou cansados desse governo.

  • segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Foto: google imagensReprovação de Bolsonaro chega a níveis alarmantes em seu primeiro ano
Reprovação de Bolsonaro chega a níveis alarmantes em seu primeiro ano

O desdobramento da pesquisa do Instituto Datafolha, sobre a avaliação do governo Bolsonaro, aprofunda a percepção de que sua aprovação está em queda livre. Não tem nada a ver com sua risada sarcástica e nervosa, esgar de alguém perturbado ou semblante de ira, olhar petrificado, aparentando ódio. O modo como se porta, reage publicamente, concede entrevistas e se pronuncia realmente não o ajuda muito. Pior é o conteúdo do que declara, gerando rejeição, indignação, estupefação, instintos ou sentimentos nada nobres.

A aprovação do presidente Jair Bolsonaro é em função do seu governo, de seus efeitos deletérios em quase todas as áreas da sociedade, com poucas exceções, como a redução recorde da taxa de juros Selic, alguns investimentos em rodovias e combate ao crime organizado. Os pontos positivos são, portanto, minoritários, se comparados ao conjunto da obra, marcada por instabilidade institucional, crise política permanente, escândalos, desmonte do estado, o que inclui a depreciação progressiva de serviços essenciais de educação e saúde.

Não é a toa que o presidente tem a pior avaliação popular, ao final de seu primeiro ano de mandato, sendo superado pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (FHC), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que chegaram ao final do primeiro ano de seus mandatos com respectivas aprovações de 41%, 42% e 59%. Bolsonaro, com apenas 30% de aprovação, só consegue desempenho melhor do que o golpista Michel Temer, o vice de Dilma que conspirou abertamente para derrubá-la e tomar seu lugar.

Pouca chance de recuperação

De acordo com o Datafolha, Bolsonaro também consegue superar, nesse quesito, o ex-presidente Itamar Franco, outro vice que assumiu o poder depois de um impeachment, no caso, o do então presidente Fernando Collor de Mello. Mas, ao contrário de Itamar, o atual inquilino do Palácio do Planalto parece ter pequenas chances de se recuperar em termos de avaliação, a não ser por eventual retomada do crescimento econômico, porém fadado a patinar em torno de 1% ou 2% ao ano – se tanto –, o que significa estagnação.

Mesmo obcecado pelo objetivo de se manter a qualquer custo, o que é próprio dos que se deixam seduzir patologicamente pelo poder, para exercê-lo em seu próprio proveito – basta ver os rumores dos gastos estratosféricos com o cartão corporativo presidencial, de uso pessoal –, o presidente só cai. A cada dia, ele vai perdendo a capacidade de convencer a sociedade de suas “boas” intenções, a não ser o núcleo duro de sua base político-eleitoral, que o apoia incondicionalmente, beira o fanatismo e compõe a extrema-direita no Brasil.

Afora esse contingente fundamentalista e, portanto, muito perigoso, os cidadãos que apenas desejam trabalhar, estudar, melhorar de vida e ser feliz estão cansando ou cansados desse governo, cuja pauta econômica é marcada, de maneira essencial, pela retirada de direitos trabalhistas e não geração de empregos. Com quase um ano de mandato, o desemprego ainda ronda a casa dos 12 ou 13 milhões de trabalhadores, fora os outros 30 milhões na mais absoluta informalidade, sem quaisquer direitos, sem aposentadoria, sem esperança.

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