O desespero refletido no discurso de Firmino
Prefeitura é prefeitura, não dá para comparar com o Governo como quer Firmino Filho
O prefeito Firmino Filho, ao passar para o ataque duro e direto contra o governador Wellington Dias, no contexto da disputa pré-eleitoral ao Palácio da Cidade, demonstrou não outra coisa, a não ser desespero, cedo demais para o momento, portanto, muito estranho. Seu destempero, ao afirmar que o governo estadual está se desmoronando – algo que, evidentemente, não corresponde aos fatos, muito pelo contrário, aliás –, transparece tensão diante das incertezas relacionadas a sua escolha para sucedê-lo no comando da Prefeitura de Teresina.
Os ataques intempestivos do prefeito, que fogem um pouco a seu calculado perfil de homem público, aparentemente ponderado, de discurso tecnicista, levantam dúvidas a respeito do suposto controle, por parte do PSDB, do processo eleitoral na capital. Firmino dá cabo à estratégia político-eleitoral, muito influenciada por marqueteiros gananciosos, no sentido de comparar os dois modelos e resultados de gestão, opondo a prefeitura ao governo estadual. Como se essa estratégia fosse cabível, já que não há parâmetros de comparação no caso.
O debate proposto pelo Palácio da Cidade, nos meios de comunicação, nas redes sociais e reuniões com representantes de grupos econômicos, comunitários, etc., se baseia na falsa premissa de que a prefeitura é um mar de rosas administrativo, com excelente situação fiscal, o que não é verdade. Em contraponto, segundo o mote do grupo de Firmino, o governo estaria mergulhado num caos fiscal, perdendo aliados pelo ladrão e outros furos, e “queimado” pelo antipetismo e todo o ódio inerente à parcela da população que apedreja o PT.
Erro de cálculo
Pode estar, o prefeito – seu grupo, seus aliados, marqueteiros pagos através de contratos milionários, com o dinheiro público municipal –, cometendo um erro de cálculo político fundamental. No fundo, Firmino e alguns de sua entourage, embora inconfessável, sabem do altíssimo nível de risco da empreitada tucana nesta oportunidade. Decerto, não adianta comparar a prefeitura da capital com o governo estadual, por motivos óbvios, pois se trata de duas esferas distintas. É como comparar a gestão de um estado com o governo federal.
Isso sugere escassez de argumentos, o que reforça a impressão de que, desta vez, a turma que está há 35 anos ininterruptos, no poder da capital, está se sentindo realmente ameaçada, desde que Wall Ferraz venceu as eleições municipais de 1985, as primeiras durante a ditadura. As razões de tal preocupação se baseiam num conjunto de situações. A primeira delas se refere à ausência de um nome, com cacife eleitoral compatível com o desafio de vencer nas urnas, à altura deste desafio. A aposta é mais do que dobrada.
A definição em torno do secretário municipal de Educação, Kleber Montezuma, como o candidato a prefeito da situação, passa a ideia de que ele foi escolhido por total falta de opções concretas, reais, consistentes. Com exceção do ex-prefeito Sílvio Mendes, as cartas disponíveis no baralho de Firmino se mostravam de baixo valor. Mas escolher Sílvio significaria abrir mão, por completo – ou em boa parte –, da imensa influência sobre o poder político-administrativo de Teresina, o que não interessa ao prefeito. Não seria possível tutelar Sílvio.
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