Impeachment mais próximo, provável e necessário

Foto: Google ImagensEsta chegando a hora
Esta chegando a hora

“Ô, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?” A frase lapidar é do presidente Jair Bolsonaro, em resposta ao repórter do jornal O Globo, que perguntou se ele tem comprovante do suposto empréstimo de R$ 40 mil a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o 01. Descontrolado, ao não ter resposta convincente à pergunta, o presidente reforçou os motivos de sua queda de popularidade, lenta, gradual, mas constante, segundo a mais recente pesquisa do Ibope.

Irado, acuado pelas denúncias apresentadas contra 01 nas investigações do Ministério Público (MP) do Estado do Rio de Janeiro, Bolsonaro se sentiu à vontade para agredir a imprensa, mais uma vez, no portão do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. O visível abalo psicológico do pai, em função da consistência das suspeitas recaídas em torno do filho, se manifestou em forma de fúria, explicada também por estar diante de uma multidão de apoiadores bolsonaristas, que urravam diante da presença de seu líder.

Portanto, não é por acaso que o governo Bolsonaro foi reprovado por 38% da população, que o consideram ruim ou péssimo, de acordo com a pesquisa Ibope. Seus índices de reprovação vêm aumentando de maneira progressiva, constante, desde o começo do mandato do presidente, há 11 meses e 20 dias, e são detectados por todos os institutos de pesquisa. Considerando os sete levantamentos do Ibope, desde janeiro deste ano, o percentual de reprovação do governo partiu do patamar dos 11% em janeiro, e não parou de subir.

O conjunto da obra

O conjunto de crises e problemas representados pelo governo e seu entorno não poderia dar em outro resultado, mesmo com toda a manipulação midiática promovida nas redes sociais, impulsionadas pelo “Gabinete do Ódio”, que funcionaria no 3º andar do Palácio do Planalto. De amplo conhecimento, o “Gabinete do Ódio” foi denunciado pela própria imprensa e por políticos como a deputada federal Joyce Hasselmann (PSL-SP), uma das mais agressivas bolsonaristas da política brasileira, antes de romper com o clã Bolsonaro.

Mantendo os ataques ao estado democrático de direito, às instituições, à liberdade de expressão, os movimentos bolsomínions nas redes sociais atuam, em sentido inverso, para sustentar a falsa construção do mito, e, mesmo com tudo isso, não conseguem evitar, mas reduzir a velocidade da queda de aprovação do governo. Essa sustentação de Bolsonaro não se esvai apenas do ponto de vista das pesquisas de opinião, da reprovação e impopularidade, mas também do Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF).

E nessa trajetória o presidente vai colecionando derrota sobre derrota, tanto no Legislativo quanto no Judiciário, poderes sob permanentes agressões diretas do governo, dos movimentos que o apóiam, da extrema-direita do País. A consequência de tal conjuntura é que as condições de governabilidade se fragilizam rápida e intensamente, se aproximando do estágio do ingovernável, o que antecede a queda institucional do presidente através do impeachment, a cada dia mais provável, próximo e necessário.