Semana passada a fábrica de cimento Itapissuma, da cidade de Fronteiras, anunciou o fim das atividades e a demissão de cerca de 400 funcionários.
A noticia sacudiu o Piauí.
Responsável por colocar a cidade fronteiriça como o 10º maior PIB per capita do Piauí (em 2014 – último dado), o fim das atividades vai proporcionar a Fronteiras bem mais que a perda de um rankig estatístico.
A cidade, que em 2006 tinha uma população de 11.554 habitantes e dependia muito da fábrica, agora, vai enfrentar momentos bem difíceis
Mas porque a fábrica fechou ?
Em nota oficial, a Itapissuma informa que “suspende temporariamente suas atividades” em sua fábrica de Fronteiras-PI. Justifica-se dizendo que “tal suspensão deve-se ao agravamento da crise econômica que assola o país, em especial o ramo da construção civil”. Ainda, segunda a nota da empresa, houve uma redução em suas vendas da ordem de 80%.
Apesar da notícia trágica a empresa encerra a nota com um alento: “é acreditando na retomada econômica do país que a ITAPISSUMA informa a todos que tão logo isso ocorra estará retomando as suas atividades”.
O pensarpiauí publica a seguir texto de 2016 da Associação Brasileira de Cimento Portland e do Sindicato Nacional da Industria de Cimento que fala do desempenho do setor.
“DADOS DE PRODUÇÃO E CONSUMO DE CIMENTO NO BRASIL A indústria do cimento gera um produto homogêneo, totalmente consumido nas construções em seus diferentes segmentos. Da mais simples obra habitacional até a mais complexa obra de infraestrutura, a demanda de cimento é condicionada pelo nível de atividade da indústria da construção civil, que por sua vez depende dos investimentos do setor público (obras de infraestrutura), do poder de compra do setor privado (obras habitacionais, comerciais, e industriais), do crédito e da renda real. Portanto, a dinâmica de crescimento do setor depende de programa sustentável de longo prazo para a construção civil. Grandes obras emblemáticas e isoladas impactam pouco no consumo de cimento. A construção de uma grande hidrelétrica consome entre 600 e 700 mil toneladas de cimento durante toda sua obra (cerca de 5 anos), ou seja, representa, por ano, cerca de 0,2% do consumo de 71 milhões de 2014. Para construir um estádio de futebol é necessário, em média, de 20 a 25 mil tonelada de cimento ao longo de 2 anos, uma participação muito pequena se comparado com o total de cimento consumido em um ano.
Cenário Atual da Indústria do Cimento A partir de 2015 a economia como um todo vem sofrendo uma forte crise, com fraco desempenho em diversos setores. O PIB caiu 3,8%, sendo que a queda do setor de serviço foi de 2,7%, enquanto que o setor industrial desabou 6,2%. O desemprego atingiu 8,5%, o rendimento real médio do brasileiro retraiu 3,7% e a inflação ultrapassou a meta estipulada pelo Banco Central e chegou a 10,67% em 2015. A atividade da construção civil foi 7,6% menor em 2015 com relação a 2014, e na indústria do cimento não poderia ser diferente, com retração de 9,5% no consumo do insumo, totalizando 65 milhões de toneladas, ou seja, retornamos ao nível de consumo em 2011. A restrição dos gastos públicos em construção e o aumento da taxa de juroslevou a cadeia da construção para uma recessão profunda, que inviabiliza a tomada de empréstimos para o financiamento de investimentos.
A perspectiva para 2016 e 2017 é da continuidade da recessão. O SNIC está esperando uma retração no consumo de cimento entre 12% e 15% em 2016. O aumento dos custos de produção (energia elétrica, cambio, etc) e o alto endividamento das empresas (proveniente dos investimentos realizados nos anos anteriores) dificultam ainda mais a sobrevivência de algumas empresas. Para tentar permanecer no mercado e passar por essa crise, algumas empresas já anunciaram o fechamento de unidades, procurando racionalizar seus custos. Esse péssimo cenário e as perspectivas futuras são um panorama encontrado em todas as regiões do país.
Demanda do Cimento Para se analisar a evolução da demanda de cimento é preciso analisar a evolução do desempenho da construção civil e do comportamento econômico do país, em seus diversos ciclos.
O consumo brasileiro de cimento nas últimas cinco décadas, bem como as questões macroeconômicas que explicam a evolução desse consumo, pode ser observado no gráfico abaixo:
Fonte: SNIC; CembureauEvolução da Demanda do Cimento e os Ciclos Econômicos Na busca para produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, a história da indústria do cimento tem sido de enfrentamento de grandes desafios, em decorrência de conjunturas econômicas distintas. Nos últimos 50 anos é possível identificar três ciclos econômicos que ditaram o ritmo do consumo de cimento:a- Ciclo Milagre Econômico Durante o período de forte crescimento econômico ocorrido no Brasil na década de 70 (Milagre Econômico), houve grande expansão da atividade da construção civil no país. Os programas habitacionais desenvolvidos pelo BNH, com recursos do FGTS, a lei do inquilinato e novas fontes de financiamento provocaram uma grande expansão da construção habitacional. Paralelamente, grandes obras de infraestrutura foram realizadas pelo governo, como a construção de estradas, barragens, hidrelétricas e obras de desenvolvimento urbano. Esse crescimento da atividade da construção civil provocou um consistente e elevado crescimento na demanda por cimento. Isso motivou o investimento na expansão do parque industrial cimenteiro, feito não só pelos grupos que já operavam, mas também com entrada de 10 novos grupos produtores – nacionais e estrangeiros. Nesse período, foram construídas 24 novas unidades industriais.b- Estagnação e Consolidação do Mercado Ao final da década de 1970, após a 2ª crise do petróleo, a economia brasileira entrou em grave crise – em particular a construção civil, afetando de forma acentuada o consumo de cimento, que viu sua demanda cair e, exceto por alguns poucos episódios de elevações circunstanciais (plano cruzado, plano real) se manteve estagnada por mais de duas décadas, pois não houve nesse período nenhum programa sustentável para a construção civil. O setor teve que se adequar à nova realidade de um mercado retraído, que provocou elevado grau de endividamento das empresas. Nesse processo, várias unidades de menor eficiência e custos operacionais mais altos foram desativadas: definitivamente 10 fábricas integradas; temporariamente 2 unidades; e 5 foram transformadas em moagem. Além disso, os fornos de maior consumo energético, também foram definitivamente desativados. Nesse período ocorreu também a consolidação do mercado cimenteiro, onde diversas empresas deixaram de participar, transferindo o controle acionário para grupos locais ou internacionais.c- Retomada do Crescimento em 2004A partir de 2004 diversos fatores colocaram a indústria do cimento de volta no rumo do crescimento. Além do ambiente macroeconômico favorável, o aumento da renda real e da massa salarial real, expansão do crédito imobiliário por parte do governo e por bancos privados e o crescimento dos investimentos em obras de infraestrutura foram fundamentais para a alavancagem da construção civil e consequentemente do consumo de cimento. Outro fator importantíssimo para essa recuperação foi o chamado marco regulatório imobiliário, através da Lei n°10.931/2004 e a Resolução n°3.177 do Banco Central. Essas medidas trouxeram um melhor ordenamento jurídico no setor da construção imobiliária e possibilitaram a capitalização das construtoras e incorporadoras no mercado acionário.
Programas do governo, tais como o minha casa minha vida e o PAC, também i mpulsionaram o setor da construção civil, tanto na parte habitacional quanto na de infraestrutura.
Entre 2004 e 2014 o consumo de cimento mais que dobrou, saindo de 35 milhões de toneladas para mais de 70 milhões, um movimento sustentável e presente em todas as regiões do país. Esse forte aumento e a perspectiva da continuidade desse crescimento fez com que as empresas produtoras de cimento investissem maciçamente no parque industrial. Com isso, nesse período, foram inauguradas 36 novas fábricas, além das expansões de unidades já existentes. Foram mais de R$15 bilhões investidos em todas as regiões do país. Existem, ainda, outros projetos em fase de construção, o que aumentará mais o número de unidades fabris.”
O texto acima tem alguns grifos nossos (em vermelho). Fomos buscar nas palavras da Associação Brasileira de Cimento e do Sindicato Nacional da Industria de Cimento a nossa tese: com Temer, na presidência da República a Itapissuma não reabrirá sua fábrica de Fronteiras e pode fechar outras pelo país
A restrição dos gastos públicos em construção e o aumento da taxa de juros
Temer acabou de aprovar a PEC dos gastos públicos. Portanto se o piauiense e brasileiro não quer ver mais fechamento de fábricas e desemprego há de exigir a volta da democracia e um presidente que revogue os mal feitos do golpista Temer.
Aumento da taxa de juros
Se o piauiense e brasileiro não quer ver mais fechamento de fábricas e desemprego há de exigir a volta da democracia e um presidente que trabalhe para os brasileiros e não para o sistema financeiro.
Esse péssimo cenário e as perspectivas futuras são um panorama encontrado em todas as regiões do país.
O fechamento da Itapissuma não é um problema piauiense, está dentro de um contexto nacional e o governador do Piauí, Wellington Dias, bem que poderia assim se pronunciar. É didático, faz o povo racionar de forma correta. O governador do Piauí não é um Deus, um “pode tudo”. Tem que deixar claro que essa responsabilidade é do golpista Temer.
A partir de 2004 diversos fatores colocaram a indústria do cimento de volta no rumo do crescimento….. o aumento da renda real e da massa salarial real (com o golpista Temer a tendencia é a massa salarial perder enorme valor), expansão do crédito imobiliário por parte do governo e por bancos privados e o crescimento dos investimentos em obras de infraestrutura foram fundamentais para a alavancagem da construção civil (que palavras o piauiense já ouviu do golpista Temer sobre isso?)
O deputado federal do PT, Assis Carvalho, já se posicionou sobre o assunto e, de forma correta. Aguardando outras autoridades do Piauí botarem o sino no pescoço do gato golpista.
Disse o deputado em seu facebook:
FECHANDO A FÁBRICA
Ontem, recebi com muita tristeza o comunicado da suspensão temporária das atividades da fábrica de cimento do município de Fronteiras, no Piauí, por conta da crise econômica que assola nossa sociedade. A fábrica teve as vendas reduzidas em 80% com a depressão que atinge o setor da construção civil. Dessa forma, tornou-se inviável continuar as atividades. A empresa empregava cerca de 500 pessoas. O governador Wellington Dias busca mecanismos para assegurar a continuidade das atividades da fábrica e proteger as famílias do desemprego.Mas o fato é que o golpe de 2016 continua afetando, e cada vez mais duramente, a base da pirâmide social. São os mais pobres e os mais humildes que novamente sofrem com a política feita para o mercado e para a elite.
"O Golpe de 2016 continua afetando, duramente, a base da pirâmide social. São os mais pobres que novamente sofrem com a política feita para o mercado e para a elite".
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