“Gabinete do amor”, de Boulos, será inspiração para comunicação do governo Lula

A equipe de transição pretende estar sintonizada com as redes sociais e criar uma comunicação que viralize sem abandonar a institucionalidade

Foto: Ricardo StuckertLula
Lula

DCM - A equipe do governo de transição responsável por elaborar estratégias de comunicação do próximo governo Lula (PT) pretende estar sintonizada com a rapidez das redes sociais e criar uma forma de distribuir informações que viralizem sem abandonar a institucionalidade, diz o jornal Folha de S. Paulo. O desafio será combater a desinformação bolsonarista, articular a comunicação com ministros e deputados e intensificar a relação com influenciadores digitais. Esse é o diagnóstico que faz o grupo de transição para a comunicação social de Lula.

“Bolsonaro criou o método do cercadinho e as lives de quinta-feira. O estilo de Lula é outro e não se pode esperar que seja um Janones. Será preciso criar capacidade de compreender o que acontece e reagir em tempo real, criar uma estrutura para girar em uma nova frequência”, diz João Brant, ex-secretário executivo do Ministério da Cultura, que coordena o grupo técnico de comunicação social. De acordo com ele, o grupo discute como conciliar a impessoalidade exigida da administração pública com a necessidade de ter uma comunicação que gere engajamento nas redes sociais.

“É preciso estar preparado para uma campanha permanente, que é como se dá a comunicação hoje, mas mantendo a institucionalidade da comunicação, que não pode ultrapassar algumas linhas. Ao mesmo tempo, se a comunicação do governo for puramente institucional, oficial, não vai viralizar, nem terá grande alcance”, afirma Brant.

Uma alternativa que o grupo enxerga como solução é reproduzir, em parte, a estratégia da equipe do deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP) na campanha, que criou o que chamava de “gabinete do amor”. O objetivo é a criação e a distribuição de conteúdos para pautar o debate e não ficar refém da máquina digital bolsonarista, conhecida como “gabinete do ódio”. O criador da estratégia digital de Boulos foi Gabriel Gallindo, o Gallo, que também trabalhou na campanha digital do psolista em 2020 para a Prefeitura de São Paulo, quando Boulos, de forma surpreendente, chegou no segundo turno e recebeu mais de dois milhões de votos.

O chamado “Janonismo Cultural”, termo jocoso usado para denominar a atuação polêmica do deputado André Janones (Avante-MG) nas redes sociais, que funcionou como uma máquina de propaganda antibolsonarista no final da campanha de Lula, não será replicada de modo institucional. “Obviamente, nem o Janones defende que seu estilo de comunicação seja o modelo para a Secom”, disse Brant. No entanto, alguns elementos desse estilo, como a capacidade de gerar intimidade com o público e a intensidade de publicações na internet, foram bem-vindos.

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