Folha de São Paulo e Globo agiram para censurar BBC, El País e Intercept

Além de querer censurar os concorrentes de agora, em 1964 a Folha emprestava seus carros à ditadura

Foto: Montagem pensarpiauíMeios de Comunicação
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Em boa parte dos grandes países do mundo (todos eles sob sistema capitalista) há leis que regulam os sistemas de comunicação destes países. É o que se chama de "regulação dos meios de comunicação”. No Brasil a lei que trata do tema é de 1962, o Código Brasileiro de Telecomunicações. 

Em 1962, o que se tinha no Brasil eram jornais e revistas, de um lado; e do lado das telecomunicações o rádio e a TV que ainda nem colorida era. 

Nos governos Lula e Dilma muito se falou na "regulação dos meios de comunicação”, mas nada se fez. 

Provavelmente candidato do PT à presidencia no próximo ano, Lula voltou ao assunto: "Não quer censura, quer uma regulação das comunicações tal qual existe na Inglaterra". Pronto, foi o suficiente para desadormecer a ira dos barões da mídia brasileira. 

Hoje, a Folha de São Paulo faz editorial  intitulado “A ideia fixa de Lula” e desata a falar impropérios contra o ex-presidente e o PT.  Só não disse que ela e a Globo tentanram censurar concorrentes, Mais especificamente a BBC, El Pais e Intercept. 

Só que Fernando Haddad foi ao twitter e lembrou a "democracia" deste jornal que em 1964 emprestou seus carros para os militares toturarem e matarem brasileiros. 

As famílias que dominam os meios de comunicação no Brasil tentam frear a participação de outros veículos usando como argumento o Artigo 222 da Constituição, que diz que “a propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País”.

Em seu editorial nesta terça-feira, a Folha usa a declaração de Lula para voltar a atacar o ex-presidente dizendo que “enquanto viaja pelo país a restabelecer pontes com forças até outro dia tratadas como golpistas, achou tempo para retomar a cantilena da regulação da mídia”.

No texto, a própria Folha admite ser “um objetivo correto” “se o plano é combater monopólios” com certa dose de cinismo, já que busca censuar a participação de outros veículos no ecossistema midiático brasileiro.

Após lançar uma ilusória ideia de que a proposta de Lula busca “usar dinheiro do Estado para favorecer coberturas favoráveis, uma má política, ou intervir sobre conteúdos — o que é inadmissível”, que é tudo o que vem sendo feito por Jair Bolsonaro, a Folha critica a tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo durante o governo petista, que tinha como objetivo “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de jornalista e da atividade do jornalismo”, como qualquer conselho de classe.

“A propositura, enterrada pelo Congresso, mal disfarçava suas intenções censórias”, diz a Folha.

“É também desejável, como defende esta Folha, que jornais articulem alguma instância de autorregulamentação, como no setor publicitário. Para além disso, discursos tortuosos e propostas obscuras soam a tentação autoritária”, finaliza o jornal da família Frias, sem lançar nenhuma luz – ou mesmo perguntar ao ex-presidente – sobre a proposta defendida por Lula para a democratização dos meios de comunicação no país.