"Elite brasileira é colonizada e morre de medo do pobre", diz Hildegard Angel

A jornalista é filha da estilista Zuzu Angel e irmã do ex-militante político Stuart Angel, ambos assassinados pelos agentes de repressão da Ditadura

Foto: ISTOÉHidelgard Angel
Hidelgard Angel

A jornalista Hildegard Angel, uma das principais colunistas do Brasil, traçou um duro retrato da elite brasileira em entrevista ao Tutaméia, de Eleonora e Rodolfo Lucena. “O básico é o medo. É a manipulação do medo. O medo da elite é perder o que tem, seja muito seja pouco seja mais ou menos. Ter suas casas invadidas, ter que pagar impostos sobre o seu pequeno apartamentinho. Essa pequena elite que não é elite quer ter roupas importadas, não quer prestigiar a indústria brasileira. É uma elite totalmente colonizada, culturalmente e intelectualmente, em todos os aspectos. Ela não gosta do Brasil. Ela acha o brasileiro feio, mas ela se acha linda. Essa elite tem medo de descer do seu status, tem medo de perder o que possui e medo do pobre. Essa elite morre de medo do pobre. De medo da violência do pobre. O pobre é o inimigo, é um inimigo potencial. É um inimigo permanente. Essa elite queria queimar todas as favelas, todas as comunidades, fazer uma limpeza, uma eugenia geral. Essa é a elite brasileira”, disse a jornalista. 

HILDEGARD ANGEL

Filha da estilista Zuzu Angel e de Norman Angel Jones, irmã de Stuart Angel Jones, Hildegard trabalhou como atriz no teatro, no cinema e na televisão nas décadas de 60 e 70, antes de se tornar conhecida no jornalismo, especialmente como colunista social a partir dos anos 1980. Dedicou-se ao colunismo social no jornal O Globo, e, posteriormente, de 2003 a 2010, no Jornal do Brasil.

Fundou em 1993 o Instituto Zuzu Angel, entidade sem fins lucrativos dedicada à promoção e à capacitação da moda no Rio de Janeiro, tendo como objetivo principal lembrar a luta de seu irmão, Stuart Angel Jones, e de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que foi assassinada pelos agentes de repressão da Ditadura Militar num acidente de automóvel forjado no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, em abril de 1976.

Mantém atualmente um blog próprio, onde escreve sobre a sociedade carioca e a política nacional.

Veja a entrevista na íntegra: