Política

A CUT quer a Dilma que o povo elegeu

A CUT quer a Dilma que o povo elegeu

  • sábado, 26 de dezembro de 2015

Foto: GoogleCUT
CUT
Sou do tempo que sindicalista usava brochinho com a inscrição “pró-CUT”. Naquele tempo não havíamos fundado a Central Única dos Trabalhadores. A CUT era uma idéia do Lula e de centenas de outros trabalhadores e sindicalistas deste Brasil. Enfrentamos vários desafios. De um lado, a velha e arcaica direita que do ponto de vista da organização nada permite aos trabalhadores.
Do outro, à esquerda, muitos obstáculos. Tínhamos que enfrentar o Joaquim dos Santos Andrade - Joaquinzão – (ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo); Luiz Antônio Medeiros (dirigente do Sindicato de Metalúrgicos de São Paulo, que divergia fundamentalmente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo e que mais tarde, opôs-se ao PT e à CUT); Antônio Rogério Magri (presidente do Sindicato dos Eletricitários e presidente da Central Geral dos Trabalhadores); e, Paulo Pereira da Silva - Paulinho da Força – (atual presidente nacional da central sindical Força Sindical e liderança do Partido Solidariedade) e até mesmo a companheirada do PC do B. Mas, fundamos e organizamos a CUT!.
Que nasceu à cara e semelhança do PT. E que foi acusada de que seria uma correia de transmissão do Partido. Mas nós, petistas e cutistas, sabíamos que eram organismos diferentes. Um iria lutar pelo poder, chegar ao poder e governar para todos; outro, seria sempre o instrumento legítimo de defesa das categorias trabalhistas. E ousamos construir uma central de trabalhadores e um partido de trabalhadores.
Alguns anos depois, a inclemente insistência da direita em desmitifica-los continua, mas está ai a prova do que os trabalhadores são capazes. De construir dois corpos distintos e unos ao mesmo tempo. Os trabalhadores do Brasil elegeram Dilma Roussef e integram a CUT. Os trabalhadores do Brasil sabem o que querem.
Palavra do Presidente da CUT
“Em 29 de dezembro do ano passado, a sociedade brasileira foi surpreendida com o pacote de maldades do governo, o chamado ajuste fiscal, que tirou direitos da classe trabalhadora, paralisou a economia e gerou juros altos, recessão e desemprego.
Durante este ano, a CUT lutou, negociou e reivindicou nas ruas mudanças na política econômica e a não retirada de direitos dos/as trabalhadores/as.
Simultaneamente, o mandato da Presidenta Dilma Rousseff sofreu ataques dos golpistas, aqueles que não aceitaram o resultado das eleições de 2014. E a CUT, novamente, foi às ruas defender o projeto que ajudou a eleger, a democracia e o respeito à vontade popular que se expressou nas urnas elegendo Dilma.
Nós não temos dúvida nenhuma que foi por conta da reação do povo nas ruas que o mandato de Dilma não foi cassado este ano. Mas, queremos que fique claro, não existe cheque em branco.
O povo quer a Dilma que elegeu. Esse foi o canto que ecoou nas ruas em todas as manifestações que fizemos, especialmente, a do último dia 16, quando milhares de pessoas foram às ruas de mais de 70 cidades do Brasil e o Distrito Federal dizer que quer a Dilma que elegeu.
Agora, novamente no fim do ano, assisto atônito as mesmas cenas do ano passado. Muda o ministro da economia, mas não muda a política econômica. Era justamente isso que temíamos. Isso não vai acontecer.
A primeira fala do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, é semelhante à primeira de Joaquim Levy. Ele falou em reforma da Previdência Social, retirada de direitos da classe trabalhadora, flexibilização da CLT e ajustes. Há outras possibilidades. Para equilibrar as contas públicas, ao invés de tirar dos/as trabalhadores/as é preciso tirar do capital. Do contrário, gera desconfiança na classe trabalhadora.
Exigimos, e temos autoridade política e sindical para fazê-lo, que nos próximos dias, ao invés desse discurso conservador ultrapassado e subordinado ao mercado, o governo anuncie medidas de interesse da classe trabalhadora, como a retomada do crescimento, com geração de emprego e distribuição de renda. 2016 só será um ano diferente, se o governo agir diferente. Caso contrário, acredito que o governo não terá a mesma sorte que teve em 2015.
Os golpistas estão de plantão com pedidos de impeachment ou renúncia. E as ruas só vão defender o projeto democrático popular se tiverem o que defender. A continuidade da atual política econômica, voltada aos interesses do mercado, vai gerar mais inflação, desemprego e cortes nas políticas sociais.
Para a CUT, qualquer discussão sobre direitos sociais, dos/as trabalhadores/as e Previdência Social tem de ser debatida no âmbito do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda, criado pelo governo este ano, espaço onde os/as trabalhadores/as e a sociedade podem se manifestar e defender seus direitos e interesses. Nenhum direito a menos. Não ao golpe. E pelo fim do ajuste fiscal, e uma nova política econômica”.
Vagner Freitas, presidente Nacional da CUT
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