167 anos de comemoração e lamento

167 anos de comemoração e lamento

Teresina completou 167 anos de existência e, como sempre, foi decantada em prosa e verso, com toda a razão, pois seu povo é o que existe de melhor no município, com simplicidade, afeto, talento e disposição para alcançar seus objetivos. Porém, a despeito de toda a propaganda oficial do poder público municipal, que derrama rios de dinheiro para os veículos de comunicação locais, a situação do município é desafiadora e poderia estar em outro estágio, do ponto de vista urbanístico, econômico e social. Afinal, a capital piauiense tem sido governada, na prática, pelo mesmo grupo – sempre as mesmas pessoas, cada vez mais envelhecidas, carcomidas, cronologicamente e em termos de visão estratégica, político-administrativa.

Foto: GoogleTeresina
Teresina

A rigor, esse mesmo grupo, que hoje controla o Palácio da Cidade, permanece no poder há 33 anos, já que as gestões de Heráclito Fortes (1989-1992) e Elmano Férrer (2010-2012) praticamente mantiveram o mesmo grupo no comando das ações. E, no entanto, o que se vê, em termos de evolução econômica, social e urbanística, só pode ser atribuído, a rigor, a ações pontuais do governo estadual, ao longo de várias gestões. Dois exemplos saltam aos olhos: o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e a ponte estaiada, os quais, sem a capacidade de articulação do governador Wellington Dias, não teriam sido concluídos tão cedo.

Os recursos vieram do Governo Federal, durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e serviram para materializar as obras. Cases de incompetência ou inapetência O HUT permaneceu quase 20 anos com a construção abandonada, sendo finalmente concluída na gestão de Wellington Dias e do então secretário da Saúde, Assis Carvalho, em 2008. A ponte estaiada é outro caso emblemático da incompetência ou inapetência das autoridades municipais. Inicialmente, Ponte do Sesquicentenário, para ser inaugurada em 2002, quando Teresina completou 150 anos de fundação, a tal ponte foi inaugurada somente em 2010, portanto, oito anos após o ano previsto pelos tucanos teresinenses.

O hospital só virou realidade graças, mais uma vez, à gestão do governador do PT. Essa é a verdade. O resto é conversa fiada. A rigor, as realizações do grupo que se encontra no Palácio da Cidade, há mais de três décadas, se resumem às administrações de Wall Ferraz, que escolheu professores da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) e conseguiu realizar coisas básicas, porém essenciais. É o caso do calçamento – ainda que seja do tipo “cabeça de jacaré” – nas periferias, vilas e favelas de Teresina. Isso, por incrível que pareça, impactou tanto, que serviu para manter no poder do município esse grupo tucano até hoje.

Portanto, o prefeito Firmino Filho, que, mais uma vez, se prepara para disputar o Governo do Estado, nas próximas eleições de 2022, é no fundo alguém que usufrui, passados 20 anos, do espólio de Ferraz. Firmino se vale de uma máquina eleitoreira poderosa, que cooptou lideranças comunitárias, em todas as regiões da cidade, para tentar manter sua hegemonia em relação à prefeitura. E mais uma vez essa fórmula será aplicada.