Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

Um jacaré guerreiro

Foto: Foto: André DurãoJogo do Altos e Flamengo
Jogo do Altos e Flamengo

 

Mais uma vez, jogando de volta pela Copa do Brasil, o time do Altos-PI enfrentou o Flamengo-RJ e se portou de forma valente, guerreira e leal. Pois, conseguiu jogar sem medo, apesar da torcida contra, sem rifar a bola nem dá pontapé no adversário – muito em time de futebol sem equilíbrio técnica e tático.

No primeiro tempo, a equipe alviverde piauiense compactou os seus jogadores com duas linhas de marcação no próprio campo, forçando o rubro-negro carioca a atacar e pressionar sem cessar. Durante todo o primeiro tempo, o “jacaré da terra da manga” foi atacado e pressionado em todo os 45 minutos, dando apenas um chute à meta do goleiro flamenguista.

Diante do poderio do Flamengo-RJ, jogando nos domínios do adversário, o Alto-PI foi um time valente, leal e organizado. E se comportou como um time de série C, tentando surpreender um time de série A, com maior torcida, mais apoio financeiro e recursos técnicos.

No segundo tempo, após sofrer um gol de pênalti, o “jacaré guerreiro” se viu forçado a mudar a postura em campo e criou, por três oportunidades, chances de marcar gols. Para reverter a situação, o técnico flamenguista foi obrigado, sob pressão da torcida, a mudar a equipe em campo, aumentando a vantagem técnica.

Contudo, mesmo sofrendo o segundo gol, o gigante altoense não baixou a cabeça, não se acovardou nem apelou para o antijogo e continuou fazendo um jogo limpo e mais agressivo. Para o torcedor amante do futebol, esse é o comportamento que se espera de um esquadrão futebolístico profissional, a despeito da falta de apoio necessário para se tornar mais competitivo.

É importante ressaltar que a falta de apoio local e a torcida do contra não estão prejudicando apenas o time de Altos-PI, mas realizando um desserviço para o desenvolvimento do esporte do Piauí. Por isso, devemos agradecer e reconhecer a luta do presidente do Altos-PI, o deputado estadual Warton Lacerda, não somente por construir um time profissional competitivo e de guerreiros, mas por ser hábil e corajoso em enfrentar as dificuldades e todos aqueles que jogam contra o sucesso do Altos-PI, dos altoenses e do futebol do Piauí.

Não esqueçamos que, mesmo com as dificuldades técnicas e materiais, além da falta de apoio local e a torcida do contra, o time do Altos-PI encarrou o Flamengo-RJ nos dois jogos da Copa do Brasil de forma briosa, que encheu de orgulho de todos os torcedores, a ponto de ser aplaudido de pé no final dos dois jogos – em Teresina e em Volta Redonda.

Para decepção da torcida do contra e a falta de apoio, o time de Altos-PI não foi goleado nem humilhado, e ainda levou o nome do futebol piauiense a um status nunca alcançado. Em nenhum dos dois jogos o “jacaré guerreiro” foi vaiado ou desmoralizado. Nas duas partidas, o Altos-PIforçou o time do Flamengo-RJ, um gigante do futebol mundial, a jogar com respeito ao adversário.

Sem desconsiderar a realidade do futebol profissional no Piauí, é justo e oportuno reconhecer a grandiosa jornada do time de Altos-PI e dos seus dirigentes, pois, a despeito da covardia da torcida do contra, ninguém da mídia esportiva nacional e internacional falou mal da participação do time piauiense. Ninguém da mídia esportiva local desmereceu o futebol jogado pelo “jacaré valente”.

Portanto, depois da participação do Altos-PI na Copa do Brasil, espera-se que surjam apoios efetivos para futebol profissional e as categorias de base. Além disso, é claro, possa-se reverter a visão apequenada da torcida do contra. O futebol do Piauí foi representado com brio, valentia e profissionalismo, não desmereceu nem envergonhou, em nada, os torcedores piauienses. Bravo, jacaré!

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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