Jornalista

Sérgio Fontenele

Jornalista

O PSL é o espelho da decadência

Foto: google imagensA trajetória do PSL, liderado por Bolsonaro, fracassou
A trajetória do PSL, liderado por Bolsonaro, fracassou

Quem diria. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, é um retrato fiel da confusão, discórdia, crise e decadência atual do bolsonarismo. Há cerca de um ano, emergia como uma força político-partidária aparentemente irresistível, surpreendendo todo o País, pela intensidade com que se afirmara, ditando ares de uma nova era conservadora no Brasil. Mas esse balão de ar parece estar murchando de maneira drástica, em função de uma série de fatores que se sucedem desde a vitória eleitoral de 2018.

Mais do que simples opinião sobre esse processo de perda de popularidade e ruína, inclusive ideológica, do PSL, há números muito consistentes a comprovar a derrocada da legenda que rotulou os bolsonaristas. É o que registra a mais recente pesquisa do Ibope Inteligência, divulgada pelo jornalista José Roberto de Toledo, editor executivo do site da revista Piauí. Através do artigo intitulado "PSL, do paraíso à perdição", a pesquisa revela que 50% dos eleitores brasileiros não votariam de jeito nenhum na sigla de extrema-direita.

É um número acachapante, que desmistifica a impressão dominante de que o antipetismo é algo irreversível e avassalador no País. A Ibope Inteligência expõe também, que 43% não votariam no PT de jeito nenhum. Parece pouco a diferença percentual de 50 para 43, no que se refere à rejeição do PSL e PT, respectivamente. Porém, esses sete pontos percentuais significam 10 milhões de votos. Se as eleições municipais fossem hoje, um candidato petista ao legislativo municipal teria mais chances de ser eleito do que um do PSL.

Laranjal na perdição

O jornalista destaca que "quando estava no paraíso, o PSL chegou a ser descrito como o embrião do primeiro partido popular de direita da história recente do Brasil". Recebera 11,6 milhões de votos para deputado federal na eleição de 2018 e conquistara 52 cadeiras, a segunda maior bancada da Câmara. Continua Toledo: "na perdição, o PSL é chamado de laranjal – pelo uso e abuso de candidaturas laranjas –, serve de ringue para uma luta por dinheiro e poder". É o que tem entregado o clã Bolsonaro à sociedade.

Na briga interna fratricida e indecorosa entre a família Bolsonaro e um grupo significativo liderado por Luciano Bivar, presidente nacional e fundador da legenda, o PSL foi comparado, pelo próprio Jair Bolsonaro, a uma hiena. É claro, ao lado das demais "hienas": o PT, a CUT e o Supremo Tribunal Federal (STF), que estariam acossando o leão solitário, ninguém menos do que o presidente da República. O meme foi retirado do twitte pessoal do inquilino, da hora, do Palácio do Planalto. Ele até pediu desculpas ao STF, mas não deixou de ampliar o estrago em sua própria sigla.

Como quem pula fora do barco, antes dele afundar, Bolsonaro e seu grupo estão de malas e bagagens de saída do PSL. A expressão “hienização”, do PSL, promovida pelo clã, contribuiu para que apenas 12% dos eleitores declarassem sua intenção de voto, com certeza, no partido do presidente. É menos da metade dos 27% que declararam que votariam com certeza no PT, se as eleições municipais de 2020 fossem hoje. A crescente rejeição do PSL ocorre em todas as regiões, mas, no Nordeste, 62% não votariam no partido, de jeito nenhum.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.