Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

O desenvolvimento econômico não virá pela religião, mas pelo fortalecimento das regras institucionais

Foto: UOLO
O "religioso" Jair Bolsonaro

 

Quando Jair Bolsonaro, em recente pronunciamento, expressou “que quem manda nas instituições é o povo”, assim o fez em total ignorância histórica e cegueira política.

As instituições, com suas regras formais e informais, muito contam para o desenvolvimento econômico de longo prazo e sustentável. Somente governantes antidemocráticos e autoritários dsconhecem que as regras institucionais arbitram o mundo da política e da economia. Não se pode mudar a matriz institucional de um país como o Brasil, porque o governante de plantão tem dificuldades sérias no plano dialógico e impõe um discurso ultrapassado de mando de governo, em total descaso aos regramentos do Estado democrático e de direito.

Ao sabor das emoções pré-pandêmicas do Covid-19, influenciado pelo pensamento econômico ultrapassado do ex-golden boy da Escola de Chicago, Senhor Paulo Guedes, Bolsonaro e seu conjunto (ministros e apoadores histriônicos) pensaram em fundar no Brasil um capitalismo, tipo americanizado à Trump, cujo avanço maior seria o desmantelamento institucional do Brasil, em sentido geral e irrestrito. No entanto, chegou a pandemia do Covid-19 e o novo capitalismo bolsonarista verde-amarelo virou fruta que pecou e não amadureceu, como se diz aqui no nordeste brasileiro.

No ensaio clássico “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, publicado nos anos de 1904 e 1905, Max Weber analisa o capitalismo de uma ótica diferente de Karl Marx. Os liberais norte-americanos fizeram a festa, ancorados nas analises weberianas, para apologeticamente disseminarem nas ciencias sociais. Assim, as elites latinoamericanas foram influenciadas na percepção de que o mau desempenho das economias é uma questão religiosa e não institucional.

Tal ancora para análises comparativas se pautaram na religião dos colonizadores como fator explicativo do desenvolvimento econômico de longo prazo das colônias do novo mundo. As sociedades colonizadas sob as marcas da ética protestante manifestaram um tipo de capitalismo propício a um desenvolvimento econômico com desempenho merecedor de aplauso, a exemplo das colônias do Norte, originadoras dos Estados Unidos da América e Canadá,

Quanto às sociedades colonizadas sob as orientações éticas do catolicismo, sobretudo ibérico, a religião foi um fator inibidor do desempenho econômico das colônias de Portugal e Espanha.

Voltando à nossa realidade atual, não é à toa que da franja de apoiadores incondicionais de Bolsonaro, os evangelicos (principalmente os neopentecostais) foram e continuam sendo os mais exaltados crentes do individualismo metodológico do capitalismo liberal.

A ortodoxia neoclássica, tributária do liberalismo anglo-saxônico, em total descaso e na ignorância viva das instituições como entes de relevância no campo econômico, encontrou terreno fértil e assento nobre nos domínios do pensamento econômico conservador no Brasil.

A busca pelas raízes do subdesenvolvimento e da pobreza dos países latino-americanos ancorou-se em argumentos de cunho religioso e, muito pouco na historiografia econômica desenvolvida abaixo da linha do Equador. Até para a nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal, a escolha do presidente Bolsonaro seria por um nome terrivelmente evangélico.

No Brasil, são bem pálidas as luzes que incidem sobre o institucionalismo político-econômico. A relação entre desenvolvimento econômico e a maturação institucional no Brasil nunca foi tema constante e recorrente nas ciências sociais.

O moralismo conservador das elites brasileiras desconhe os critérios explicativos de que o desenvolvimento econômico não se alcança pelas vias da ética religisa, mas pelo fortalecimento das regras institucionais.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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