Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Novas forças externas demandam um novo posicionamento geopolítico do Brasil

Foto: InternetMA

 

O Brasil vive um dilema frente às posições de inovações políticas, econômicas e democráticas que varrem o mundo na atualidade; ou se encaixa ou se desencaixa da onda verde dos ambientalistas internacionais, do antirracismo e do globalismo humanitário.

O desencaixe do governo Bolsonaro do ambientalismo, do antirracismo e do globalismo humanitário produz já um efeito devastador nos campos diplomáticos e de comércio exterior. Por outro lado, o encaixe do bolsonarismo à pauta que comanda as ações da nova geopolítica internacional não passa de uma quimera. Não se pode esperar muita coisa de um governo esquizofrênico, cuja façanha maior é acreditar em suas próprias fantasias.

Rememorando a vergonhosa reunião ministerial do governo Bolsonaro, de 22 de abril passado, percebe-se soluções a serem postas em práticas, pelo presidente e seus ministros, de comando e captura pelo privado das estruturas do Estado brasileiro. Vergonhosas falas do ministro da Educação, apática participação do ministro da Saúde e criminoso pronunciamento antiambientalista do ministro do Meio Ambiente. Para completar o ministro da Economia em total desconhecimento do papel do setor público, por excelência em tempos de novo coronavirus, passa a considerar servidor público como inimigo da nação. Ficou a ideia de pura entrega dos interesses nacionais a um bando de deslumbrados, uma cópia malcuidada de quem cuida da realidade nacional, um pastiche político se nos cabe o termo.

Não bastasse, no governo Bolsonaro não cabe mais tanto militar ocupando postos de comandos civis. Isto para se trazer a ilusória segurança dos tempos onde o regime militar vivia seus tempos áureos do “milagre brasileiro” (1972) e o carro chefe da política ambiental era “integrar para não entregar a Amazônia” à base de queimadas e desflorestamentos, em larga escala, e abusivos ataques a ambientalistas e genocídios desavergonhados de diferentes povos da floresta.

O mundo era outro nesse tempo. Os bancos europeus tomavam petrodólares em abundancias aos países da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) e emprestavam para países em desenvolvimento, principalmente da América Latina. Na sequência das crises do petróleo de 1973 e 1979, os Sheiks árabes sacaram seus ativos dos bancos da tríade (EUA – Europa – Japão) e estas instituições financeiras passaram a cobrar dos países devedores o financiamento de suas “políticas públicas”, por vias de empréstimos, transformados em elevadas dívidas públicas que mais beneficiaram as elites privadas de latino América, África e países pobres asiáticos.

A inexistência de financiamento externo do déficit público e o aumento estrondoso da dívida pública fizeram com que as ditaduras militares do Brasil, da Argentina e do Chile não suportassem o peso das demandas populares e se afundassem no mar da estagnação econômica. Todas elas caíram, em 1985, os militares no Brasil foram destituídos do poder.

Como diria nosso grande e saudoso geógrafo Milton Santos: as forças (externas) da demanda foram responsáveis pelo fim do militarismo (ditaduras militares) na América latina. Não só para o jornalismo crítico brasileiro, mas aos olhos de analistas e pesquisadores internacionais, o governo Bolsonaro optou pelo desencaixe da realidade global e não percebe que novas forças externas demandam um novo posicionamento geopolítico do Brasil.

Nos dias atuais, a retirada ou o enxugamento de recursos econômicos e financeiros do Brasil não se dá mais pela cobrança da dívida pública, porém pela negação de novos investimentos e também pela retirada do que já foi investido pelos fundos financeiros externos, e na esteira se comportam da mesma forma os investidores nacionais.

No mês passado, um grupo de investidores internacionais enviou uma carta às embaixadas do Brasil nos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, França, Noruega e Suécia, solicitando reuniões com os embaixadores brasileiros para discutir as políticas ambientais do país. No Brasil, investidores nacionais e internacionais, no total de 38 grandes empresas que operam no mercado brasileiro fizeram reclames no sentido de cobrança enérgica sobre o controle e o fim do desmatamento na Amazônia.

Pelo visto o desencaixe do governo Bolsonaro às forças das demandas externas lhe tira o sono e o sonho de um conservadorismo ufânico nacional. Em tempo: os fundos financeiros internacionais movimentam cerca de R$ 20 trilhões.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.


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