Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Lavagem de gado em terra brasilis: o Brasil como pária na sociedade globalizada

Foto: Montagem pensapiauiTentando enganar consumidores estrangeiros
Tentando enganar consumidores estrangeiros

 

Infelizmente vivemos um tempo de pandemia onde os sistemas capitalistas passam por mudanças estruturais. Falo de capitalismos de centros de poder e periféricos.

Revisitando alguns textos que guardo com muito gosto na memória de meu computador, deparei-me com um artigo do economista Plínio de Arruda Sampaio Jr., sobre o pensamento de Celso Furtado, produzido em 2002.

Nada mais oportuno do que a lembrança deste pensador estruturalista e estruturante para a compreensão do Brasil e de sua posição periférica dos sistemas capitalista centrais (Alemanha versus EUA). Viva Celso Monteiro Furtado pela passagem do centenário de seu nascimento (1920-2020), na cidade de Pombal no Estado da Paraíba.

Em “Furtado e os limites da razão burguesa na periferia do capitalismo”, Plínio de Arruda Sampaio Jr., nos oferta uma análise sobre a obstinação de Celso Furtado pela defesa da possibilidade de compatibilizar capitalismo, democracia e soberania. Oportunamente o referido artigo se ancora na segunda tese de Karl Marx sobre Feuerbach: a discussão sobre a realidade ou a não-realidade do pensamento – isolada da prática – é uma questão puramente escolástica.

Falo oportunamente porque a posição do Brasil no cenário internacional, cada vez se degrada mais, pela incompetência de um governo medíocre (Bolsonaro) com imensa dificuldade de compatibilizar ou de estabelecer a relação contemporânea e necessária entre capitalismo, democracia e soberania.

Vivemos sob a batuta maluca de um governo que não é capaz de assegurar, em simultâneo, os bens públicos do bem-estar econômico, da legitimidade democrática e de um sentido viável de coletividade. As oportunidades se transformam em ameaças. A nova configuração do mundo toma corpo e forma e o Brasil vai se tornando um pária na sociedade globalizada.

O país está sendo conduzido por pensamentos descolados da realidade em todos os planos imagináveis da condição humana. Se entendermos o “pensamento escolástico” como antagônico ao “pensamento dialético”, não restam dúvidas que vivemos sob a égide da unilateralidade e da ignorância político-econômica em “terra brasilis”.

Coincidentemente, TerraBrasilis (tudo junto mesmo) é uma plataforma web desenvolvida pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) para acesso, consulta, análise e disseminação de dados geográficos gerados pelos projetos de monitoramento da vegetação nativa do instituto como PRODES e o DETER. O INPE sofreu os piores ataques por parte do governo Bolsonaro, por via das atitudes antiambientalistas de Ricardo Sales, ministro do Meio Ambiente.

No começo desta semana, os jornais europeus noticiaram que uma investigação revelada pela Anistia Internacional mostra que a maior produtora de carne do mundo, a multinacional brasileira JBS, comercializa cabeças de gados criadas em zona desflorestadas ilegalmente.

Internacionalmente (vide o “Publico”, Lisboa-Portugal), o esquema é conhecido como “lavagem de gado”, ou seja, um produtor cria gado num terreno ilegal e, perto da fase final ou de abate, transfere-o para uma fazenda em território regular, para depois vendê-lo para a JBS.

A Anistia Internacional em conjunto com a instituição Repórter Brasil, com reforço da imprensa europeia, denunciou o governo Bolsonaro pelas suas atitudes pessimistas e negacionistas face a destruição da floresta amazônica, tais como: ataques aos critérios científicos dos trabalhos do INPE, desmantelamento organizacional do IBAMA em desautorização do seu poder de multar quem ocupa ou incendeia a floresta.

Tudo isto torna viva a questão central que Celso Furtado apresenta em “O Mito do Desenvolvimento Econômico, quando revela que “o subdesenvolvimento surge, em certas condições históricas, entre o processo interno de exploração e o processo externo de dependência. Pura renegação ao compliance ambiental

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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