Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

Eleições e mentiras

Foto: UOLMentira

 



Em 2020, apesar da pandemia de coronavírus e mais de 100 mil mortos, teremos eleições municipais no Brasil. Em geral, será mais um ano do mais do mesmo, com caixa dois, candidatos fake, discursos atreatados, partidos de aluguel, planos de governo replicados, propostas encantatórias, vícios eleitorais e pouco compromisso com a população.

Historicamente, no Brasil, e no mundo, a mentira na política evoluiu até chegar às redes sociais, corroborada pela desinformação dos eleitores influencia nas eleições. Para muitos filósofos, a política é o principal espaço para a propagação de inverdades. Nas eleições municipais de 2020, as fake news, os “candidatos laranja”, a compra de votos e outras fraudes eleitorais irão desafiar a autoridade da Justiça Eleitoral.

A utilização de desinformação como ferramenta política é bastante comum no mundo, pois as conspirações, farsas e trapaças circularam entre todas as classes sociais, como um elemento básico indissociável dos governos de reis, fascistas, ditadores, imperadores e democratas, dos papiros às redes sociais.

Um levantamento feito pelo Center for Journalists no estudo “A Short Guide To History of Fake News” (jul./2018), mostra que “o uso da desinformação como ferramenta para a manipulação da opinião pública tem seus primeiros registros datados do século IV a.C”.

Segundo Paul Joseph Goebbels, fundador e líder do Ministério do Esclarecimento e da Propaganda do nazismo (1933-1945), na Alemanha: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se realidade”. Na prática, a atuação do ministério tinha por princípio básico o uso e abuso da desinformação popular. 

Hoje, as universidades públicas brasileiras, a imprensa, cientistas e outras instituições sociais, estão sendo ultrajadas por parte da classe política com informações falsas, que incentiva a população a agir da mesma forma.

No processo histórico do uso de desinformação como uma ferramenta política, a criação da imprensa (1493) teve um papel de destaque para ampliar o seu alcance, dando a muitos políticos a compulsão incansável pela mentira, o populismo, o desdém pelas relações humanas e a disposição para burlar as normas morais e éticas instituídas.

Dentre as táticas, ainda hoje utilizadas, estava o aparelhamento da imprensa para exercer a censura, espalhar boatos, forjar dados, disseminar fraudes, empanturrar a população com notícias mentirosas sobre um inimigo e dar visibilidade somente às informações com especialistas que compartilhassem o mesmo ponto de vista.

Assim, para monopolizar a opinião pública, os políticos profissionais impõe uma ideologia única, burocratizam o acesso ao poder político, inviabilizam a renovação política, cooptam a imprensa, afugentam os possíveis inimigos, usam a desinformação da população e exercem o controle do eleitorado – p.ex. “compra de votos”, “currais eleitorais”, “favores vis” etc. – em busca da aprovação popular a cada eleição e a qualquer custo. Eles evitam debates sobre os problemas mais profundos que afetam a sociedade, pois ser eleito é o que importa, o que vale.

Por exemplo, mesmo com a pandemia de coronavírus e a despeito de mais de 100 mil mortos, a classe político não mudou o foco da desinformação como ferramenta política, tanto que forjou novas datas para o período eleitoral em 2020. Em três meses, os candidatos a cargos eletivos terão que agir de forma acelerada em busca de votos sem comícios, reuniões ou visitas diretas nas localidades, e ainda terão que vencer a resistência e o desencanto do eleitor com a política.

Se Hitler usou o rádio e o cinema, os fascistas ou neofascistas usam as redes sociais para desinformar e mentir.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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