Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Economia circular e sustentabilidade

Foto: KaleydosEconomia circular
Economia circular

 

O tema economia circular tem tomado corpo no mundo inteiro e tem se associado em muito à sustentabilidade do desenvolvimento econômico. Uma nova realidade vem se descortinando que põe em questão a linearidade dos processos econômicos ou da economia linear.

O tema não é tão novo. Contudo, o enfrentamento à pandemia do Covid-19 em todos os países também tem desviado os olhares da gestão ambiental sustentável assentada no propósito de criação de uma plataforma verde que conduza novos negócios.

A economia circular tem tomado espaço nos discursos acadêmicos, desde a década de 1970, como um conceito estratégico para se contrapor ou até mesmo romper com o modelo econômico linear – de extrair, transformar e descartar.

Em 2012 Ellen MacArthur Foundation publicou o primeiro de uma série de relatórios entitulados “Em direção a uma economia circular” e assim se retomou a discussão: (http://www.ellenmacarthurfoundation.org/business/reports). O conceito de economia circular é estratégico porque se assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

Recentemente, Catherine Weetman (Química) escreveu o importante livro, traduzido para o português, “Economia Circular: conceitos e estratégias para fazer negócios de forma mais inteligente, sustentável e lucrativa” (2019). A autora oferece uma perspectiva estratégica para que empresas e organizações se ajustem a fim de enfrentar essa nova realidade.

Ultimamente, várias iniciativas de pôr em prática a estratégia da economia circular têm sido tomadas em países europeus, sem se desconsiderar que desde 2015, no Brasil, o tema vem sendo debatido em congressos e fóruns sobre gestão.

Para o bem da verdade, no Brasil de hoje, com um governo avesso à pauta ambiental, a situação para o incremento da economia circular com o apoio do setor público é quase uma quimera. O governo Bolsonaro bem se coaduna com as diretrizes de uma economia linear destrutiva, caracterizada por deixar rastros de muita degradação ao meio ambiente como desflorestamentos e queimadas na Amazônia legal, e conivência com a prática de atividades de mineração clandestinas e criminosas em terras indígenas.

Diferente de países como Portugal, que só a região da Beira Baixa (centro do país) reuniu através de sua associação comercial, mais de 84 entidades públicas e privadas em adesão ao Pacto Institucional para a Valorização da Economia Circular. Tal pacto inclui aproximadamente 230 ações estratégicas voltadas para o combate ao desperdício, valorização dos subprodutos e resíduos, simbioses industriais, tecnologias digitais ao serviço da economia circular ou uso eficiente dos recursos.

A economia circular em muito favorece aos Arranjos Produtivos Locais, numa localização de produção que favoreça a criação de modelos de negócios que agreguem valor aos produtos manufaturados. Pelo modelo de economia linear desenvolvido no Brasil vem se produzindo diferenças enormes entre regiões. Estados consumidores do Nordeste, como Piauí e Paraíba, vivenciam um processo brutal de desindustrialização.

 O Estado do Piauí, localizado numa zona de transição entre o semiárido e a pré-Amazônia (Maranhão), pelos aportes teóricos e práticos da economia circular poderia radicalizar pela mudança para um modelo econômico de cariz mais sustentável. Ao invés das promessas do agrobusiness (fronteiras agrícolas que produzem desertificação) poder-se-ia incrementar a relação entre produção de alimentos (familiar) e consumo sustentável, bioeconomia circular das aguas, materiais e energia.

Na Paraíba, já se enfrenta a situação piorada da má política de contenção do lixo marinho, da ausência da coleta seletiva e do descarte dos resíduos. O problema do plástico em aguas oceânicas ameaça a fauna marinha. A região Nordeste, como um todo, poderia aderir à plataforma verde e a outros arranjos produtivos que focasse na produção de novos insumos à base da reciclagem de materiais plásticos e de vidro, impulsionando a indústria local.

Verdade é que a economia circular tem tudo para vingar.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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