Piauiense

Oscar de Barros

Piauiense

E meu filho virou artista

Foto: Arquivo pessoalTarcísio Augusto
Tarcísio Augusto

Eu sei da existência das escolas para ensinar as artes, mas, carrego comigo uma convicção: é preciso a pessoa ter um dom mínimo para as artes. Na escola, vem o aperfeiçoamento.

Sonhei em ter um artista em Tarcísio Augusto.

Era um sonho misturado com medo. Medo de quê?

Medo de dirigir a vida do filho. Filho não é para realizar sonho de pais. Filho é para traçar seus próprios caminhos. Mesmo assim, atendendo a desejo dele, comprei uma sanfona para ele. Ele foi corajoso, enfrentou o complexo instrumento, mas logo deu o veredicto: “pra mim não vai dar”!!!

E fomos para a tradicionalidade da vida. Um curso profissionalizante de grau superior.

Tarcísio escolheu o Direito e mais uma vez foi enfático: “não quero concurso público, quero ser advogado!”

Hoje, com o título de mestre em Direito, está com seu escritório montado e trabalhando com direito público e eleitoral.

A sanfona não deu certo, mas como pai, cultivo um orgulho pelo apuradíssimo gosto musical de Tarcísio Augusto. Sua trilha sonora é de extremo bom gosto. Ele ouve o bom forró de Luiz Gonzaga, Flávio José e outros. É fã de nordestinos genuínos como Zeca Baleiro, Chico César e Os Nonatos. Canta os bons sambas de Cartola e Nelson Cavaquinho. Como morou em Minas, se escorrega até pelo sertanejo ouvindo e cantando Trio Parada Dura.

Enfim, orgulho! Mesmo que não tenha conseguido ser sanfoneiro, mas tem bom gosto musical.

Certeza de que sofrerá menos na vida: quem ouve a boa música é mais feliz.

Chegou 2020 e com ele a pandemia.

Nos isolamos todos. Aqui em casa estamos há 4 meses cumprindo o isolamento social.

E não é que nesse período, Tarcísio Augusto compôs uma letra de música belíssima, arrumou quem desse a melodia e voz, e cantasse a linda música!...

Além de tudo, está disponibilizando em plataformas digitais.

Agora já posso dizer e me orgulhar: meu filho é um artista!!!


O Outro Silêncio

Letra: Tarcísio Augusto 
Melodia: Isabela Rodrigues

"O silêncio foi a primeira coisa que existiu",
Disse-lhe categoricamente um poeta.
O outro perguntou depois do que refletiu:
Essa assertiva está completa?

O silêncio é só o que inicia, afinal?
Ou essa é uma verdade apenas parcial?

Ora, o silêncio é antes e depois;
é o que se recolhe ao encontro de dois.
É o que se recolhe ao barulho de dois.

Império da inexistência do denominador comum,
o silêncio é o que é quando se é só um.
O silêncio é o que é quando se é só um.  

Eis que chegamos neste ponto crucial:
Há silêncio após o infortúnio da nau.

Quando no amor já há espaço pro não, 
quando tudo que existe é o não dito,
quando já se apagou o que estava escrito.

Quando a vitrine não mostra mais o que é bonito, 
o silêncio é tempestade que provoca aflição, 
porque o silêncio também é fim, evidencia a razão.

O silêncio é o que é quando se é só um, 
o silêncio é o que é quando se é só um.
Subtração de dois, o silêncio é nenhum.


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