A Justiça italiana determinou, nesta quarta-feira (13), que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) seja submetida a uma perícia médica com urgência até a próxima sexta-feira (22). A decisão foi tomada durante uma audiência no Tribunal de Apelação de Roma, que decidiu manter a parlamentar presa no Instituto Penitenciário de Rebibbia, onde ela está detida desde 29 de julho.
A sessão foi marcada por momentos de tensão. Visivelmente abalada, Zambelli alegou sentir tonturas, o que levou a uma breve interrupção dos trabalhos. Seu advogado reiterou as condições de saúde da deputada e solicitou um acompanhamento médico mais rigoroso.
"Ela sofre de mais de dez doenças, entre elas a síndrome da taquicardia postural ortostática, que exigiu internação em 2024", afirmou o pai da parlamentar, presente na audiência.
Testemunhas relataram que Zambelli compareceu à sessão com os cabelos desalinhados e trajando o uniforme da prisão. A defesa também destacou as dificuldades enfrentadas pela deputada para obter itens básicos de higiene, como xampu, cujo custo no sistema prisional italiano gira em torno de R$ 63.
A situação financeira da família se deteriorou após o bloqueio das contas bancárias do marido da deputada, Antônio Aginaldo de Oliveira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, doações de apoiadores cessaram, e o filho adolescente de Zambelli não conseguiu autorização para visitá-la na Itália.
A audiência também contou com a presença do advogado italiano Alessandro Gentiloni, representando a Advocacia-Geral da União (AGU), a pedido do ministro Moraes. Zambelli seguirá presa até a próxima audiência, marcada para o dia 27 de agosto, enquanto aguarda o andamento do processo de extradição para o Brasil.
A deputada foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e teve seu mandato cassado pelo TRE-SP por disseminação de fake news durante o período eleitoral. Após fugir para a Itália em junho, Zambelli foi detida em Roma, após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol.