Wellington Dias defende aproximação de Lula com o centro para garantir reeleição

Ministro afirma que campanha de 2026 terá palanques mais amplos nos estados para fortalecer alianças e garantir maioria no Congresso

O ministro Wellington Dias afirmou que a campanha à reeleição do presidente Lula deverá apostar em uma articulação política mais ampla nos estados, com mais de um palanque em algumas regiões e aproximação com setores do centro político. Ele reconheceu falhas na relação com aliados durante o atual mandato e defendeu uma reorganização da base para garantir governabilidade e maioria simples no Congresso.

O que aconteceu

Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, que coordenará a campanha de Lula no Nordeste, afirmou que a estratégia para 2026 passará pelo fortalecimento de alianças estaduais. Segundo ele, a composição política brasileira exige acordos adaptados à realidade local, inclusive com a formação de mais de um palanque em determinados estados.

Dias citou exemplos como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, onde há articulações envolvendo diferentes lideranças. Em Pernambuco, confirmou a possibilidade de apoio simultâneo a João Campos e Raquel Lyra.

O ministro também avaliou que um dos principais erros políticos do atual mandato foi buscar uma base de dois terços no Congresso, em vez de concentrar esforços na construção de uma maioria simples. Segundo ele, o governo poderia ter consolidado melhor o apoio de parlamentares que estiveram ao lado de Lula na eleição de 2022.

Na entrevista, Dias defendeu o diálogo para reconstruir a relação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de apoiar a possibilidade de reenviar o nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O ministro ainda atribuiu as dificuldades de comunicação do governo à falta de uma base política mais articulada nos estados. Também criticou o senador Flávio Bolsonaro ao comentar a disputa presidencial, a atuação da oposição e temas ligados ao combate ao crime organizado.

Sobre o Bolsa Família, afirmou que não há previsão de reajuste em 2026 e que eventuais mudanças serão discutidas apenas durante a elaboração do Orçamento de 2027.