Este texto apresenta um resumo da entrevista concedida pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, à revista VEJA, publicada em 22 de agosto de 2025, na edição nº 2958. Na conversa, o ministro destacou os avanços dos programas sociais, a necessidade de reposicionamento do PT e os desafios políticos e econômicos que se projetam para a eleição presidencial de 2026.
O ministro ressaltou que a prioridade para 2026 será consolidar uma aliança entre centro e esquerda, capaz de enfrentar uma conjuntura que considera marcada pela polarização e pela ameaça à democracia. “O importante será garantir um centro correndo junto com a esquerda”, afirmou, ao defender que o PT e seus aliados precisam dialogar melhor com setores da sociedade, como o eleitorado evangélico e a classe média que busca um Estado mais eficiente e condições para empreender.
Dias destacou que o Brasil deixou o Mapa da Fome da ONU graças à retomada dos programas sociais, como Bolsa Família e Brasil sem Fome, além da criação de novas iniciativas como o “Acredita no Primeiro Passo”. Citou que, somente no primeiro semestre de 2025, cerca de um milhão de famílias deixaram o Bolsa Família porque conseguiram melhorar de vida. A reformulação do programa, explicou, garante agora que o beneficiário só se desliga quando atinge renda três vezes superior ao valor do benefício, sem perder o direito por formalizar um emprego ou negócio. Caso haja perda de renda, o auxílio é reativado automaticamente, o que ele descreveu como “um colchão de proteção contra a miséria”.
O ministro lembrou ainda que uma auditoria feita em parceria com o Tribunal de Contas da União expôs fraudes herdadas do Auxílio Brasil, como o pagamento a pessoas com renda elevada ou uso de documentos falsos. Também comentou o debate em torno do gasto de beneficiários com apostas online, que movimentou R$ 3 bilhões — envolvendo, no entanto, apenas 3,4% dos cadastrados. Para coibir abusos, o governo bloqueou o uso do cartão do Bolsa Família em sites de apostas.
Embora reconheça que os programas sociais continuam sendo um trunfo eleitoral, Dias admitiu que seu impacto já não tem o peso de eleições anteriores, uma vez que o país vive um ambiente político mais fragmentado e com novos anseios. Por isso, defendeu que o PT se reposicione e amplie sua base, movimento que já estaria em curso sob a liderança do novo presidente do partido, Edinho Silva.
Na política externa, o ministro comentou o “tarifaço” imposto pelo governo Donald Trump, articulado pelo deputado Eduardo Bolsonaro. Disse que o Brasil acionou medidas emergenciais para absorver a produção de setores mais afetados, como o de alimentos perecíveis, e defendeu que o presidente Lula mantém abertura ao diálogo com os EUA, mas sem abrir mão da soberania nacional. Para ele, a disputa de 2026 se dará também nesse terreno: entre os que defendem a proteção de trabalhadores e empresários brasileiros e aqueles que, em suas palavras, “prestam continência à bandeira americana”.