Votos e penas: como será a semana decisiva do julgamento de Bolsonaro

STF retoma nesta terça (9) o julgamento de Bolsonaro e aliados; decisão final deve sair até sexta (12).



O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete aliados no núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado entra em sua fase decisiva na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Esta é a primeira vez que um ex-presidente da República e militares da alta cúpula são julgados por tentativa de golpe na história do Brasil.

A partir desta terça-feira (9), os ministros começam a votar sobre acondenação ou absolvição dos acusados. A expectativa é que até sexta-feira (12) seja conhecido não apenas o resultado, mas também as penas a serem aplicadas, caso haja condenação.

Moraes abre a semana

O relator, Alexandre de Moraes, falará na terça-feira (9). Ele deve apresentar um voto longo e detalhado, estimado em três a quatro horas, no qual deverá rebater os argumentos das defesas.

Os demais ministros - Dino, Fux, Cármen e Zanin, pela ordem - só votarão depois, mas não há previsão de datas. Se Moraes se estender além do previsto, os votos seguintes só devem ocorrer a partir de quarta-feira.

Para garantir a conclusão, foi marcada uma sessão extra na quinta-feira (11). A ideia é que, até sexta-feira (12), todos já tenham votado e seja possível proclamar o resultado e definir as penas.

O que é a dosimetria da pena

Se houver maioria pela condenação, o julgamento passará para a fase da dosimetria da pena, quando se calcula a punição de cada réu. Esse cálculo segue três etapas:

Pena-base: cada crime tem um intervalo legal (por exemplo, de 4 a 12 anos no caso de golpe de Estado). O ministro fixa um ponto dentro dessa faixa, considerando a gravidade dos fatos e o papel do réu.

Agravantes e atenuantes: fatores que podem aumentar ou reduzir a pena, como liderança em organização criminosa (agravante) ou bons antecedentes e idade avançada (atenuantes).

Causas de aumento ou diminuição: previsões legais específicas que alteram o resultado, como uso de armas (aumento) ou crime tentado (redução).

Ao final, os ministros também decidem o regime inicial de cumprimento: fechado, semiaberto, aberto ou domiciliar. A expectativa é que essa fase ocorra na sexta-feira (12), último dia previsto para o julgamento.

O debate sobre a unificação dos crimes

As defesas pedem que os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado sejam tratados como um só. Argumentam que se referem à mesma conduta e que puni-los separadamente configuraria dupla punição pelo mesmo fato. As chances de o argumento prosperar são pequenas. Em casos anteriores, o STF decidiu no sentido de manter os dois crimes separados.

Se o STF aceitar a tese, aplica-se o princípio da consunção, pelo qual um crime absorve o outro. Isso reduziria o total das penas. A questão deve ser enfrentada já no voto do relator e pelos demais ministros, pois pode impactar significativamente o resultado final.

Possibilidades e cenários

Formação de maioria: bastam três votos dos cinco ministros. A expectativa é que isso ocorra entre quarta e quinta-feira, com a posição de Cármen Lúcia vista como decisiva.

Pedido de vista: se algum ministro pedir mais tempo, o julgamento pode ser interrompido por até 90 dias.

Recursos: em caso de divergência, a defesa pode apresentar embargos infringentes, recurso que leva o caso ao plenário do STF.

Pena máxima: se condenado em todos os crimes, Bolsonaro pode somar mais de 40 anos, mas a lei brasileira limita o cumprimento a 40 anos de prisão.

Perguntas e respostas sobre o julgamento:

Quem está sendo julgado?

Quais são os crimes apontados pela PGR?

Qual a ordem dos votos dos ministros?

Quando cada ministro vai votar?

O que é a dosimetria?

Bolsonaro e os demais réus podem ser condenados em um crime e absolvidos em outro?

Por que a defesa quer unificar dois crimes?

Qual a pena máxima de Bolsonaro?

Bolsonaro irá preso imediatamente em caso de condenação?

O que acontece se Bolsonaro for absolvido?

E se for condenado por 5x0 ou 4x1?

O que muda em caso de placar de 3x2?

Semana passada

O julgamento do chamado núcleo crucial começou na semana passada. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, apresentou o relatório com um resumo da ação penal, listando as provas e os principais atos investigados.

Em seguida, a Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação dos acusados, afirmando que Bolsonaro liderou a articulação golpista e que a punição é essencial para evitar novas ameaças à democracia.

Depois foi a vez das defesas, que pediram a absolvição dos réus e, em alguns casos, buscaram estratégias para reduzir eventuais penas, caso a condenação fosse confirmada.