Por Elton Arruda, professor, da direção estadual da CTB-Pi
Recentemente vários posts buscaram requentar falas e posturas do candidato a senador Júlio César. As publicações nada trazem de novo e nada acrescentam ao debate eleitoral de propositivo. O objetivo primeiro desse movimento é intimidar, constranger e remeter ao desconforto qualquer um que corrobora da compreensão de que derrotar Ciro Nogueira nessa eleição é fazer tombar um dos maiores pilares do Bolsonarismo/Fascismo hoje.
Vejamos, em 1909 Lenin formulava brilhantemente no seu "Materialismo e Empiriocriticismo: Notas críticas sobre uma filosofia reacionária" uma síntese: na filosofia existem dois partidos, o idealista e o materialista. O Idealismo, para a ciência, é aquele que se caracteriza quando o humano imprime uma imagem fictícia ou fantasiosa na realidade objetiva, mascarando-a e confundindo a realidade como se a ideia fosse capaz de criar as condições reais. Pois bem, este mesmo idealismo que falseia a realidade material e impede a construção de uma ideia real correspondente à vida real, leva a uma outra categoria importante para a política que é a ideologia. O velho Karl Marx em A Ideologia Alemã (1845-1846) afirma que essa ideologia - como falsa consciência - funciona como uma “câmara escura” para inverter a imagem real das coisas. Mais tarde o brilhante militante comunista italiano Antonio Gramsci vai escrever, enquanto era preso do Mussolini, que essa ideologia tem dimensão cultural. Quando a visão investida ganha as mentes da maioria ela vira força material real e interfere na própria realidade. Noutras palavras, a ideia invertida leva a decisões e posições políticas invertidas, por melhor que sejam as intenções.
Depois Althusser, dirigente comunista francês que combateu na Segunda Guerra e foi preso de campos de concentração, vai aprofundar ainda mais a compreensão sobre ideologia afirmando que essas ideias invertidas não se massificava à toa, mas por uma estrutura sofisticada que ele chamou de Aparelhos Ideológicos de Estado. São a religião, escola, meios de comunicação e outros, organizados para garantir a hegemonia de um conjunto de ideias que correspondem aos interesses de quem domina essas estruturas. Por meio da hegemonia da ideologia, a classe dominante garante o que o próprio Althusser chamou de “sutil dominação cotidiana”. Karl Marx, no fundamento disso tudo arremataria: a ideologia dominante de um tempo é sempre a da classe dominante desse tempo.
Feito as considerações devidas, respeitosamente afirmo que várias são as candidaturas ao senado e algumas verdadeiramente patrióticas, mas somente três estão na disputa e a de Ciro Nogueira é a que certamente melhor representa o fascismo brasileiro corporificado no bolsonarismo (afirmou à CNN em outubro de 2024 que o candidato de seu campo era Bolsonaro). Homem próximo à família Bolsonaro, profundamente engendrado com a Faria Lima e citado em inúmeros esquemas e escândalos que lesam a pátria, Ciro é o mais danoso de todos e, para os que priorizam a luta anti-fascista, é o que deve ser derrotado primeiro.
Então, militantes, brasileiros e brasileiras conscientes, devemos evitar crer no que vem da câmara escura. Não vamos nos enganar pelos objetivos dos verdadeiros poderosos e suas armadilhas ideológicas. É urgente rejeitar a sutil dominação cotidiana. O voto em Júlio é para derrotar Ciro.
Fascistas, não passarão!