Vorcaro muda versão e cita propina a Ciro Nogueira

Nova proposta de delação atribui pagamentos ao senador a suposto apoio político ao Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova versão sobre sua relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma segunda proposta de delação premiada enviada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Pagamentos antes descritos como resultado de amizade passaram a ser apontados como suposta propina para obtenção de apoio político a interesses do Banco Master. 

O que aconteceu

Segundo informações do Estadão, a primeira proposta de colaboração de Vorcaro relatava que benefícios concedidos a Ciro Nogueira, como viagens e participação em eventos, não tinham contrapartida e decorriam da proximidade pessoal entre os dois. O acordo foi rejeitado pela Polícia Federal e pela PGR.

Após trocar sua equipe jurídica e revisar o material por cerca de duas semanas, o banqueiro apresentou uma nova versão dos fatos. O documento traz detalhes adicionais sobre supostas irregularidades e inclui informações relacionadas à captação de recursos de fundos de previdência municipais e estaduais pelo Banco Master.

Apesar das alterações, investigadores avaliam que os novos relatos acrescentam pouco às apurações já em andamento, baseadas em provas obtidas a partir da análise do celular de Vorcaro. A tendência é que a Polícia Federal mantenha posição contrária ao acordo, enquanto a PGR conclui sua avaliação.

A mudança de versão ocorre após uma fase da Operação Compliance Zero identificar suspeitas de pagamentos mensais de R$ 300 mil a uma empresa ligada a Ciro Nogueira. De acordo com a investigação, os repasses poderiam estar relacionados à defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

O senador nega qualquer irregularidade e afirma não ter apresentado propostas para beneficiar diretamente o banco. As investigações também apontam a proximidade entre ambos. Conversas analisadas pela PF mostram Vorcaro chamando Ciro de “grande amigo de vida”. Dez dias após o casamento da filha do senador, em 2024, Ciro apresentou a chamada “Emenda Master”, que ampliava a cobertura do FGC, mas a proposta não avançou no Congresso.

O caso ganha ainda mais repercussão por envolver um dos principais nomes do Centrão e aliado histórico do bolsonarismo. Em declarações anteriores, o senador Ciro Nogueira chegou a ser apontado por Flávio Bolsonaro como o “vice dos sonhos” para uma chapa presidencial da direita.