A Polícia Federal realizou a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e empresas ligadas a seu controlador, Daniel Vorcaro. Foram cumpridos 42 mandados e determinadas medidas que bloqueiam mais de R$ 5,7 bilhões, ampliando as apurações iniciadas em 2023.
O que aconteceu
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a segunda etapa da Operação Compliance Zero, que apura um amplo esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e empresas associadas ao seu controlador, Daniel Vorcaro. A ofensiva expande o alcance da primeira fase e resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, além do sequestro e bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões.
As diligências alcançaram endereços ligados a Vorcaro e a familiares, como sua irmã e cunhado, incluindo imóveis na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, além de residências e escritórios na Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
De acordo com a investigação, o grupo captava recursos de investidores, destinava parte dos valores a fundos de investimento e desviava outra parcela para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de parentes. Para a PF, o esquema ajudaria a sustentar operações consideradas arriscadas e incompatíveis com a real situação financeira do banco, que já estava sob monitoramento regulatório meses antes da liquidação extrajudicial.
A apuração ganhou impulso após a primeira fase da operação, realizada em novembro do ano passado, quando sete pessoas foram presas. No mesmo período, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master ao concluir que a instituição não tinha capacidade de honrar compromissos com investidores e credores, afetando órgãos públicos e fundos de previdência que haviam aplicado cerca de R$ 1,8 bilhão em títulos do banco.
As suspeitas se agravaram com a identificação da venda de títulos de crédito falsos, com promessas de rentabilidade até 40% acima da taxa básica. A PF estima que as fraudes possam alcançar R$ 12 bilhões, valor que agora integra o núcleo central das investigações. Questionamentos sobre a liquidação e o sigilo do processo também motivaram críticas de órgãos de controle, investidores e parlamentares, que cobram maior transparência.