O presidente do Vitória, Fábio Mota, manifestou insatisfação com a liga Futebol Forte União (FFU) devido ao que interpreta como um tratamento desigual nos repasses financeiros. Em entrevista, Mota revelou ter enviado uma notificação extrajudicial à FFU para esclarecer os descontos nos valores que a equipe baiana recebe da Sports Media Entertainment (SME), principal investidora responsável pelos repasses aos clubes.
Descontos nos repasses e a disputa entre clubes
Em 2022, a SME desembolsou R$ 68,2 milhões ao Vitória em troca de 15% das receitas oriundas de direitos de transmissão e publicidade. O imbróglio surgiu porque, de acordo com Mota, o Atlético-MG, que fez um movimento semelhante ao do Vitória ao migrar da Libra para a FFU, não está sendo submetido aos mesmos descontos.
Troca de bloco e novos desafios financeiros
O Vitória e o Atlético-MG decidiram abandonar a Libra, com efeitos contratuais a partir de 2029, para se unirem à FFU aceitando um novo acordo financeiro. Esta mudança visa melhorar as receitas devido à promessa de maiores valores no novo bloco, embora o saldo final para o Vitória, descontados os 15%, ainda represente um incremento em comparação à Libra, conforme afirmou Mota: “Mesmo descontando o que vai descontar, no final, o valor é maior.”
Alegações de desequilíbrio e favoritismo
O presidente do Vitória argumenta que o diferente tratamento prejudica a competitividade do clube no Campeonato Brasileiro. O cenário posto é que o Atlético-MG, um dos concorrentes diretos na tabela, está a apenas um ponto de diferença, e tal disparidade financeira pode afetar o desempenho técnico do seu time.
Para Fábio Mota, o Atléticotem benefícios devido às relações de seus controladores com o sistema financeiro — uma circunstância que não se aplica ao Vitória. Ele destacou as figuras de Rubens Menin, do Banco Inter, e Ricardo Guimarães, do Banco BMG, ambos ligados ao clube mineiro.
Posicionamento das partes envolvidas
Ao ser questionada, a SME respondeu que não comenta especificamente contratos individuais. A ausência de explicações claras deixa aberta a possibilidade de que o Atlético-MG tenha negociado condições mais favoráveis com o investidor. Procurado, o clube mineiro preferiu não se manifestar.
Essa situação destaca as complexidades do mercado esportivo, onde os contratos de mídia e parcerias financeiras são cada vez mais cruciais para a sustentabilidade dos clubes.