A visita do governador Tarcísio de Freitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, foi vista por aliados como sinal definitivo de que ele não disputará a Presidência. O gesto reforçou seu alinhamento ao bolsonarismo e frustrou apoiadores que defendiam uma candidatura mais ampla ao Planalto.
O que aconteceu
A decisão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de visitar Jair Bolsonaro (PL), nessa quinta-feira (29), que cumpre pena na Papudinha, provocou reação negativa entre aliados que ainda apostavam em sua entrada na corrida presidencial. O movimento foi interpretado como um recuo definitivo e um gesto de alinhamento ao núcleo duro do bolsonarismo.
Entre apoiadores do projeto presidencial do governador, cresceu a frustração pela percepção de falta de disposição para enfrentar a influência direta de Bolsonaro e construir uma alternativa capaz de atrair partidos de centro e setores do mercado financeiro. Em conversas reservadas, aliados afirmaram que “faltou coragem” para romper com o bolsonarismo; outros avaliaram a postura como excessivamente obediente, chegando a classificá-la como “subserviência”.
Ao deixar o presídio, Tarcísio falou à imprensa, confirmou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai como candidato à Presidência, e reafirmou que não pretende concorrer. Disse que, desde 2023, seu foco é São Paulo e destacou o papel estratégico de governar o maior colégio eleitoral do país.
Embora nunca tenha assumido publicamente a intenção de disputar o Planalto, o tema foi debatido nos bastidores até Bolsonaro lançar o filho como candidato. Pesquisas favoráveis a Flávio consolidaram a escolha, apesar de avaliações internas sobre dificuldades em um segundo turno contra Lula.
Após a visita, interlocutores avaliam que Tarcísio está “em paz” com Bolsonaro e decidido a buscar a reeleição, mirando 2030. Ainda assim, reconhecem que sua trajetória segue dependente do bolsonarismo.