Os moradores dos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, acordaram nesta terça-feira (28) em meio a intensos confrontos entre forças de segurança e criminosos do Comando Vermelho (CV). A megaoperação, batizada de Operação Contenção, cumpre 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão contra integrantes da facção.
Segundo balanço parcial, quatro suspeitos morreram e 23 foram presos.
A ação mobiliza cerca de 2.500 agentes das forças de segurança, incluindo policiais civis, militares e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
De acordo com as investigações, pelo menos 30 dos procurados são oriundos do Pará, e líderes do CV estariam escondidos nas 26 comunidades que formam os complexos. Nas primeiras horas da operação, foram apreendidos dez fuzis, duas pistolas e nove motocicletas.
Região em clima de guerra
O cenário nas favelas foi de guerra. Traficantes reagiram com tiros, ergueram barricadas em chamas e chegaram a lançar explosivos com drones contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Colunas de fumaça puderam ser vistas de vários pontos da cidade.
Um policial do Bope foi atingido de raspão na perna. Três civis ficaram feridos: um homem em situação de rua, baleado nas costas, foi levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas; uma mulher foi atingida enquanto treinava em uma academia; e outro homem foi ferido em um ferro-velho.
“Ação necessária e planejada”, diz secretário
O secretário de Segurança Pública do estado, Victor Santos, afirmou que toda a logística da operação foi planejada pelo governo estadual.
“Toda essa logística é do próprio Estado do Rio de Janeiro. São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem no estado”, disse ao g1.
Segundo ele, cerca de 150 mil pessoas vivem nas áreas afetadas.
“Lamentamos profundamente as pessoas feridas, mas esta é uma ação necessária, planejada, baseada em inteligência, e que vai continuar”, afirmou.
Estado reforça presença nas comunidades
O governador Cláudio Castro destacou que o objetivo é reafirmar o poder do Estado nas comunidades dominadas por facções criminosas.
“Estamos atuando com força máxima e de forma integrada para deixar claro que o poder é do Estado. Os verdadeiros donos desses territórios são os cidadãos de bem, os trabalhadores. Seguiremos firmes na luta contra o crime organizado”, declarou.
Estrutura da operação e impactos
A Operação Contenção conta com helicópteros, drones, 32 veículos blindados, 12 caminhões de demolição e ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate. Participam da ação policiais civis de todas as delegacias especializadas e distritais, além de agentes do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência. A operação é resultado de mais de um ano de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Os impactos se espalharam por toda a região. A Secretaria Municipal de Saúde informou que cinco unidades de Atenção Primária suspenderam o atendimento e uma clínica da família interrompeu visitas domiciliares.
Na educação, 28 escolas fecharam no Complexo do Alemão, 17 na Penha e uma da rede estadual também suspendeu as aulas. O consórcio Rio Ônibus desviou 12 linhas para garantir a segurança de rodoviários e passageiros.