O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) enviou, na última terça-feira (30), um ofício ao secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, solicitando a divulgação urgente da lista de estabelecimentos comerciais flagrados vendendo bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no estado.
"Em razão da gravíssima crise instalada em São Paulo pela venda de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol — que já resultou em dezenas de casos de intoxicação e ao menos cinco mortes confirmadas —, solicito a imediata divulgação da relação completa de bares, restaurantes, adegas e demais comércios envolvidos. É fundamental proteger a saúde da população", afirma o documento assinado por Boulos.
Também na terça-feira (30), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou cinco mortes por intoxicação por metanol. Até o momento, apenas uma foi comprovadamente causada pela ingestão de bebida adulterada; as demais ainda estão sob investigação.
A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para apurar o fornecimento ilegal de metanol e investiga se a distribuição ocorreu também em outros estados.
Além do pedido de transparência, Boulos cobrou medidas mais eficazes do governo estadual. "A população tem o direito de saber quais estabelecimentos foram flagrados vendendo bebidas contaminadas e o que o governo está fazendo para resolver essa situação", afirmou. Ele também criticou a postura das autoridades estaduais: “Tarcísio e seu secretário Derrite precisam ir além das coletivas de imprensa e tomar medidas concretas em defesa da população.”
O governo de São Paulo informou que intensificou as fiscalizações em comércios suspeitos. Além do bar Ministrão, localizado na região dos Jardins, outros locais foram interditados nesta terça-feira (30) por suspeita de vender bebidas com metanol.
As ações ocorreram em diferentes pontos da capital e no ABC paulista, em operação conjunta da Polícia Civil com a Vigilância Sanitária.
Na zona leste, um bar na Mooca foi fechado após apreensão de garrafas de destilados, que foram enviadas para análise. Em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, outro bar foi interditado com recolhimento de bebidas suspeitas.
Na zona sul da capital, um minimercado no Planalto Paulista teve cerca de 40 garrafas de uísque, gin e vodca apreendidas. O responsável pelo local foi levado à delegacia para prestar depoimento.
Já em M’Boi Mirim, uma distribuidora foi parcialmente interditada. Parte das bebidas foi lacrada até que os donos apresentem notas fiscais que comprovem a origem dos produtos.
Todos os estabelecimentos interditados permanecerão fechados até que o Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica conclua a análise das amostras apreendidas para confirmar ou descartar a presença de metanol.