Vício no Jogo do Tigrinho leva mulher à ruína: perda de casas, separação e dívida milionária em centavos

“‘Esse é meu último pedido de socorro", diz Assíria Macêdo

A história da extensionista de cílios Assíria Macêdo, de 29 anos, moradora de Fortaleza (CE), expõe os impactos devastadores do vício em jogos de apostas online no Brasil. Após perder duas casas da família e acumular uma dívida de cerca de R$ 50 mil, ela usou as redes sociais para fazer um desabafo que viralizou e já ultrapassa 200 mil visualizações.

Mãe de duas crianças pequenas, Assíria relata que o vício em plataformas como o chamado “Jogo do Tigrinho” destruiu sua vida financeira, abalou sua saúde mental e levou ao fim do casamento. Sem renda fixa, ela afirma que precisou interromper o trabalho devido ao estado psicológico. “Não consigo sair de casa, não consigo atender minhas clientes. Qualquer barulho me deixa em pânico”, afirmou em vídeo.

Como o vício em apostas online começou

Segundo o relato, Assíria começou a jogar há cerca de quatro anos, atraída pela promessa de ganhos rápidos. No início, chegou a lucrar valores significativos, o que reforçou o comportamento compulsivo.

Com o tempo, perdeu o controle. Passou a apostar todo o dinheiro disponível, incluindo ganhos do trabalho e valores emprestados. “Se eu tivesse qualquer quantia na conta, eu jogava. Isso destruiu minha vida, meu casamento e minha família”, disse.

O endividamento levou a situações extremas: bens foram vendidos, credores passaram a cobrar diariamente e, em um dos episódios, um deles chegou a levar a televisão da família como forma de pagamento.

Perdas familiares e crise financeira

A dependência também afetou diretamente os familiares. De acordo com Assíria, os pais venderam imóveis para tentar quitar as dívidas, enquanto o ex-marido também se prejudicou financeiramente ao tentar ajudá-la.

Hoje, ela, as filhas e os pais idosos vivem de favor, com ajuda de pessoas próximas. “A gente está sobrevivendo com ajuda de quem conhece nossa situação”, relatou.

Saúde mental e pedido de socorro

O caso ganhou ainda mais repercussão pelo forte relato emocional. Assíria afirma enfrentar crises de ansiedade, insônia e medo constante, o que a impede de retomar a rotina de trabalho.

No vídeo, ela reconhece a dependência e faz um apelo: “Hoje eu reconheço que estou doente. Esse é meu último pedido de socorro.”

Após a repercussão, ela conseguiu iniciar acompanhamento psicológico gratuito e decidiu se afastar do celular para evitar recaídas.

O que é ludopatia e como tratar

O caso chama atenção para a ludopatia, transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), caracterizado pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos severos.

Segundo especialistas, o tratamento envolve acompanhamento psicológico, possível uso de medicação e reconstrução de vínculos sociais e familiares. Em casos mais graves, pode ser necessária internação.

Regulamentação e alerta sobre apostas online

No Brasil, jogos de azar são historicamente enquadrados como contravenção penal, mas normas recentes passaram a regulamentar plataformas de apostas online, estabelecendo critérios técnicos para funcionamento.

Apesar disso, especialistas alertam para os riscos de dependência, especialmente diante da popularização de jogos com promessa de ganhos rápidos.

Recomeço e tentativa de recuperação

Sem acesso ao celular e buscando reconstruir a vida, Assíria tenta agora quitar as dívidas e retomar o trabalho. Ela também pede apoio financeiro e oportunidades de emprego para sustentar as filhas e ajudar os pais.