Velhas táticas, novos disfarces: a direita piauiense e o jogo sujo contra Rafael Fonteles

A UDN não morreu. Está viva e acusando Rafael Fonteles

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, o cenário político no Piauí começa a ganhar contornos conhecidos. O governador Rafael Fonteles, que concorre à reeleição, mantém altos índices de aprovação e um forte apelo popular — fatores que naturalmente despertam a inquietação de seus adversários. Sem um projeto claro para o Estado, os principais opositores, concentrados no Partido Progressistas, no PL e no União Brasil, voltam a recorrer a uma velha estratégia: tentar desgastar a imagem do governo por meio de supostos escândalos de corrupção.

Nos últimos meses, começaram a surgir nas redes sociais perfis e comunicadores — alguns antigos, outros recém-criados — que buscam transformar procedimentos rotineiros de órgãos de controle em grandes denúncias. A operação é simples: sem provas concretas, insinua-se corrupção, cria-se o alarde e espalha-se o barulho. É o retorno do discurso udenista em versão digital. Quando não há argumento nem proposta, resta o grito.

Essa tática, no entanto, não é nova no Piauí. Foi amplamente utilizada durante os governos de Wellington Dias, especialmente quando a então secretária de Educação, Rejane Dias, se tornou alvo de investigação. A oposição de então transformou a secretaria em símbolo de corrupção durante toda a campanha eleitoral. Contudo, o tempo mostrou a fragilidade das acusações: o Superior Tribunal de Justiça arquivou o processo, reconhecendo que não havia justa causa para ação penal.

O método se repete agora contra Rafael Fonteles. A direita piauiense aposta novamente na retórica moralista e nos ataques vazios para tentar minar a credibilidade de um governo que, segundo as pesquisas, mantém boa avaliação e forte aceitação popular. Enquanto isso, seus adversários seguem sem apresentar um plano de desenvolvimento econômico, social ou ambiental para o Estado.

Vale lembrar que o discurso da “corrupção generalizada” é uma marca nacional da direita brasileira. Desde os tempos de Sérgio Moro até a família Bolsonaro, passando pelo governador Tarcísio de Freitas, a bandeira moralista é erguida por quem muitas vezes tem contas a acertar com a própria Justiça.

O fato é que o Piauí exige mais do que gritos e acusações vazias. Exige propostas, ideias e visão de futuro. Até agora, a oposição tem mostrado apenas o velho gogó udenista — e nenhum projeto concreto de governança.

Um pouco sobre a velha UDN: 

A União Democrática Nacional (UDN) foi um partido político brasileiro fundado em 1945, de orientação conservadora e liberal-clássica, que se consolidou como a principal força de oposição aos governos populares, especialmente ao varguismo. Desde o início, sua identidade política apoiava o moralismo, o combate ao “populismo” e a defesa de uma cultura política elitista: deu ênfase à retórica da corrupção, acusações frequentes e vigorosas críticas ao Estado interventor, embora muitas denúncias não corressem acompanhadas de provas robustas ou desdobramentos judiciais.  Embora tenha apresentado alguns projetos liberais, sua prática política era marcada pela instabilidade ideológica interna — conviviam correntes quase autoritárias e outras mais liberais — e pela sua vocação quase permanente de estar na oposição. Com líderes como Carlos Lacerda, a UDN fez do discurso da denúncia e do moralismo sua estratégia política central, muitas vezes sem respaldo em ações concretas ou investigações definidas.