O site Brasil 247, com base em informações publicadas pelo jornal The New York Times, revelou os bastidores da operação que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Segundo a reportagem, a ação foi precedida por meses de monitoramento sigiloso, intenso compartilhamento de dados de inteligência e ajustes táticos de última hora entre Washington e Tel Aviv.
De acordo com o relato reproduzido pelo Brasil 247, a CIA vinha rastreando os deslocamentos de Khamenei há meses, mapeando padrões de movimentação, rotinas de segurança e possíveis locais de reuniões estratégicas. O nível de detalhamento teria aumentado após o conflito de 12 dias ocorrido no ano anterior, permitindo à agência alcançar elevado grau de confiança sobre os métodos de comunicação e proteção da cúpula iraniana.
A informação decisiva surgiu quando a inteligência norte-americana identificou que uma reunião de altos dirigentes ocorreria na manhã de sábado (28) em um complexo governamental no centro de Teerã, área que concentra estruturas da presidência, do líder supremo e do Conselho de Segurança Nacional. A confirmação da presença de Khamenei levou Estados Unidos e Israel a alterarem o cronograma original do ataque, antecipando a ofensiva — inicialmente prevista para a noite — para a manhã de sábado.
Fontes ouvidas pelo New York Times indicaram que a CIA forneceu a Israel dados de “alta precisão” sobre a posição exata do líder iraniano dentro do complexo. Israel teria combinado essas informações com seus próprios sistemas de vigilância e executado uma operação que vinha sendo preparada há meses, com foco na eliminação de integrantes da cúpula político-militar iraniana.
A ofensiva começou por volta das 6h em Israel (1h em Brasília), com a decolagem de caças equipados com munições de longo alcance e alta precisão. Os mísseis atingiram o complexo por volta das 9h40 em Teerã (3h10 em Brasília). Autoridades israelenses afirmaram que o ataque foi realizado simultaneamente em diferentes pontos da capital iraniana, atingindo locais onde estavam reunidas figuras estratégicas do escalão político-securitário.
No domingo (1º), a agência estatal iraniana IRNA confirmou a morte de dois militares de alto escalão citados por Israel como alvos da operação: Ali Shamkhani e Mohammad Pakpour. Segundo o Brasil 247, a reportagem destaca que parte da base de inteligência utilizada já havia sido mencionada publicamente no ano anterior, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington sabia onde Khamenei estava e poderia eliminá-lo.
Ainda conforme o relato, a experiência acumulada durante o conflito anterior permitiu aos Estados Unidos ampliar significativamente o conhecimento sobre os métodos de deslocamento e comunicação do líder supremo e da Guarda Revolucionária sob pressão. Esse refinamento teria sido determinante para prever sua presença na reunião de sábado.
Após o bombardeio ao complexo central, outros endereços ligados a dirigentes da inteligência iraniana também teriam sido atingidos. Embora um dos principais chefes de inteligência tenha escapado, os escalões superiores das agências teriam sofrido impacto severo.
A operação, segundo o Brasil 247 ao repercutir o New York Times, revela alto grau de coordenação entre a CIA e as forças israelenses, sustentado por vigilância prolongada, análise de padrões comportamentais e aproveitamento imediato de uma oportunidade estratégica identificada pela inteligência norte-americana.