Utilização da Base Diminui no Fluminense com Zubeldía

Sob o comando de Zubeldía, jovens de Xerém perdem espaço no Fluminense.

No último confronto contra o Vasco, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o Fluminense empatou em 0 a 0 e, apesar dos desafios, a partida destacou um tema controverso: a redução no uso dos jogadores formados nas categorias de base do clube, conhecidas por "Xerém". Sob o comando do técnico argentino Luis Zubeldía, a participação desses atletas diminuiu expressivamente.

Queda no Aproveitamento da Base

Desde a chegada de Zubeldía, a presença dos jovens talentos na equipe principal tem sido limitada. De acordo com um levantamento detalhado, apenas 1,66% dos minutos jogados sob o seu comando foram destinados aos jogadores da base. Este é o menor índice em comparação com os três técnicos anteriores: Fernando Diniz, Mano Menezes e Renato Gaúcho. Nomes como Martinelli e John Kennedy, que já não são considerados "sub-22", não foram inclusos nesta análise, pois já estão estabelecidos no time principal há alguns anos.

Números da Base

Embora dez atletas revelados no clube tenham sido utilizados por Zubeldía, apenas dois deles atuaram fora do Campeonato Carioca. Riquelme Felipe participou de cinco jogos no Campeonato Brasileiro, enquanto Wesley Natã jogou tanto no Brasileirão quanto na Libertadores. Outros jovens, como Matheus Reis, Júlio Fidelis e Wallace Davi, tiveram suas chances restritas ao estadual.

Entre os atletas da base utilizados, três foram emprestados e dois deixaram o clube de forma definitiva. Essa estratégia resultou em uma diminuição da participação dos jovens em competições mais importantes, como o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores.

Comparação com Técnicos Anteriores

O contraste é evidente em relação aos gestores anteriores. Fernando Diniz e Mano Menezes alocaram 22,3% e 20,96% de minutagem aos jovens, respectivamente, integrando-os em campeonatos de alto nível. Renato Gaúcho, embora também tenha apresentado baixa minutagem, conseguiu distribuir as oportunidades de forma mais abrangente.

Zubeldía preferiu o Campeonato Carioca como plataforma principal para os jovens, diferindo significativamente da Copa Sul-Americana, onde os atletas de Xerém tiveram mais presença sob o comando de Renato Gaúcho.

Contexto Delicado e Declarações

A falta de jogadores da base no elenco principal se evidenciou ainda mais diante das ausências de Thiago Silva, Freytes, Millán e Jemmes contra o Vasco. Com apenas dois zagueiros disponíveis, Ignácio e Igor Rabello, Zubeldía optou por não incluir um defensor da base mesmo para o banco de reservas. Segundo o técnico, no momento, não há zagueiros de Xerém preparados para o time principal.

O caso de Davi Schuindt, que saiu em definitivo para o AVS de Portugal, ilustra a situação. Sob a ótica do treinador, a experiência fora pode contribuir para o desenvolvimento de talentos da base, uma decisão tomada considerando o planejamento e as contingências do elenco atual.

O cenário coloca em discussão o papel dos jovens talentos na composição do time e levanta questões sobre o planejamento a longo prazo do Fluminense em relação à sua base tão tradicional e prolífica.