Uma mulher submissa! Veja a orientação política e moral de Michelle Bolsonaro

Diante de militantes e lideranças conservadoras, ela apresentou o papel da mulher como “ajudadora e auxiliadora do esposo”, defendendo que a obediência ao marido seria uma “submissão saudável”

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro consolidou no encontro do PL Mulher, realizado em Londrina (PR), um discurso que recoloca a submissão feminina ao homem como orientação política e moral do bolsonarismo. Diante de militantes e lideranças conservadoras, ela apresentou o papel da mulher como “ajudadora e auxiliadora do esposo”, defendendo que a obediência ao marido seria uma “submissão saudável”, amparada em interpretações religiosas. O tom da fala buscou associar virtude feminina à docilidade doméstica, tratando tarefas como cozinhar, organizar a casa e manter “comidinhas prontas na geladeira” como expressões de amor e devoção, não como imposições sociais.

Michelle sustentou que as mulheres do PL “não estão na política para competir com os homens”, mas para atuar de forma “colaborativa”, exaltando uma suposta “feminilidade diferenciada” das mulheres de direita. Nesse contexto, o feminismo foi apresentado como ameaça à ordem familiar, e a igualdade entre homens e mulheres, como desvio moral. A retórica recorreu à religião para transformar a desigualdade em valor espiritual, apresentando a obediência ao marido como parte de um “propósito divino”. O discurso, ao vincular gênero à hierarquia, buscou legitimar um modelo de família em que a autoridade masculina é central e inquestionável.

A narrativa difundida por Michelle Bolsonaro traduz um projeto político que se empenha em restaurar padrões tradicionais de gênero sob o argumento de defesa da fé cristã e dos “valores da família”. Ao promover a submissão feminina como ideal, o bolsonarismo reafirma sua estratégia de transformar crença religiosa em plataforma eleitoral e a desigualdade em virtude moral.