A histórica camisa usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958 foi leiloada nesta quinta-feira (17), em Nova York, por US$ 4,9 milhões (cerca de R$ 25 milhões). A peça, considerada uma das maiores relíquias da história do futebol, tinha valor estimado em US$ 6 milhões pela casa de leilões Sotheby's.
Este foi o segundo leilão da camisa. Em 2004, ela havia sido arrematada em Londres por apenas US$ 105,6 mil (cerca de R$ 300 mil na cotação da época). Desde então, seu valor de mercado se multiplicou.
Camisa azul entrou para a história da Seleção Brasileira
A camisa azul foi usada por Pelé, então com apenas 17 anos, na vitória por 5 a 2 sobre a Suécia, na final da Copa do Mundo de 1958. O Rei marcou dois gols e ajudou o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial.
O uniforme surgiu por necessidade. Como a Suécia, dona da casa, teve prioridade para atuar com a camisa amarela, a delegação brasileira providenciou, às pressas, camisas azuis em Estocolmo, que receberam os escudos da antiga CBD e a numeração antes da decisão.
Como a camisa foi parar em um museu de Alagoas
Após a conquista do Mundial, Pelé presenteou o atacante alagoano Dida (Edvaldo Alves Santa Rosa), reserva da Seleção na Copa. Anos depois, o irmão de Dida doou a camisa ao Museu dos Esportes de Alagoas, onde ela permaneceu exposta entre 1993 e 2003, tornando-se uma das principais atrações do acervo.
Venda em 2004 salvou o museu da falência
Em 2003, diante de uma grave crise financeira, a direção do museu decidiu colocar a camisa em leilão. O objetivo era evitar o fechamento da instituição, que enfrentava infiltrações, deterioração do prédio e risco de perder parte do acervo.
Segundo o então diretor Lauthenay Perdigão, boa parte do dinheiro arrecadado foi consumida por impostos, despesas jurídicas e pelo repasse acordado à família de Dida. Restaram cerca de R$ 52 mil, utilizados para reformas estruturais e melhorias no museu.
Família lamenta perda da peça histórica
Atualmente responsável pelo Museu dos Esportes de Alagoas, Marcela Acioli, neta de Lauthenay, afirmou que a instituição não receberá qualquer valor com o novo leilão.
Ela disse que a venda da camisa foi a única alternativa encontrada para manter o museu funcionando e revelou que o avô carregou o arrependimento pela decisão até o fim da vida. Segundo Marcela, embora o museu tenha sobrevivido, a saída da camisa representou a perda de uma das maiores relíquias da história do esporte brasileiro.