Um voto por R$ 50 em cocaína: assim se compra eleitor em SC

A fraude foi descoberta durante uma operação contra o tráfico de drogas e resultou na condenação dos envolvidos pela Justiça Eleitoral

A Polícia Civil de Santa Catarina desmantelou um esquema inédito de corrupção eleitoral em Timbé do Sul, no Sul do estado, onde eleitores recebiam porções de cocaína em troca de votos. O caso ganhou repercussão nacional em junho de 2026 após reportagens destacarem a infiltração do crime organizado no processo político.

O esquema funcionava por meio do tráfico de drogas local. Nas mensagens trocadas entre os envolvidos, a expressão “moeda branca” era utilizada como código para se referir à cocaína. Cada voto era comprado pelo equivalente a R$ 50 em porções da droga.

Para receber o entorpecente antes da eleição, os eleitores precisavam enviar fotos dos títulos eleitorais por aplicativos de mensagens, comprovando sua participação no esquema.

A fraude foi descoberta durante uma investigação sobre tráfico de drogas conduzida pela Delegacia de Timbé do Sul. Um traficante identificado como Claudiomir da Silva foi preso em flagrante. Ao analisar o celular apreendido, os policiais encontraram mensagens que detalhavam a negociação envolvendo documentos de eleitores e a distribuição de drogas.

Em depoimento, diversos eleitores confessaram participação no esquema e confirmaram ter recebido cocaína em troca de apoio político.

O cruzamento de dados telefônicos indicou que um candidato a vereador era o principal beneficiário da prática e tinha conhecimento da contabilidade dos votos monitorados pelo traficante.

A investigação foi concluída e encaminhada ao Judiciário, resultando na condenação dos envolvidos pela Justiça Eleitoral por corrupção e crimes eleitorais. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, este foi um dos primeiros casos no estado com registro material documentado do uso direto de drogas como moeda de troca explícita no processo eleitoral.