O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, figura histórica do Partido Democrata, faleceu neste domingo (29), aos 100 anos, em sua casa na cidade de Plains, Geórgia, onde nasceu e viveu grande parte de sua vida. Carter, o 39º presidente do país, governou de 1977 a 1981 e deixa quatro filhos, 11 netos e 14 bisnetos. Ele foi precedido na morte por sua esposa, Rosalynn Carter, com quem foi casado por mais de 70 anos, e por um neto.
Sua morte foi confirmada pelo Carter Center, a instituição que fundou após deixar a Casa Branca e que atua até hoje na promoção da paz, direitos humanos e erradicação de doenças. "Meu pai foi um herói, não só para mim, mas para todos que acreditam na paz, nos direitos humanos e no amor altruísta", declarou Chip Carter, filho do ex-presidente, em um comunicado.
Diplomacia e justiça
Durante sua presidência, Carter destacou-se como mediador em eventos históricos. Em 1978, foi peça-chave nos Acordos de Camp David, que resultaram no primeiro tratado de paz entre Israel e Egito, firmado pelos líderes Menachem Begin e Anwar Sadat. Carter recebeu, em 2002, o Prêmio Nobel da Paz por sua "incansável busca por soluções pacíficas para conflitos internacionais".
No plano internacional, seu governo também foi marcado pelo estabelecimento de relações diplomáticas formais entre Estados Unidos e China, em 1979, um passo significativo para a cooperação entre as duas nações. No entanto, Carter enfrentou desafios como a Crise dos Reféns no Irã, em que 52 americanos foram mantidos reféns por 444 dias. A tentativa frustrada de resgate militar em 1980 enfraqueceu sua popularidade, contribuindo para sua derrota na eleição presidencial daquele ano.
Na América Latina, Carter foi uma das principais vozes críticas às ditaduras militares, incluindo a do Brasil. Sua política de defesa dos direitos humanos gerou tensões com regimes autoritários da região.
Vida após a presidência
Após deixar a Casa Branca, Carter transformou sua carreira pública. Fundou o Carter Center, organização que estimula a democracia, monitora eleições e trabalha em causas humanitárias ao redor do mundo. Ele também se posicionou contra ações militares unilaterais, denunciou o uso de drones e defendeu a normalização das relações entre EUA e Cuba.
Carter visitou Cuba em 2002 e 2011, posicionando-se contra o embargo e defendendo os direitos humanos na ilha. Em nota, o governo cubano lamentou sua morte, destacando suas visitas e esforços por uma relação construtiva entre os países. A China também expressou condolências, reconhecendo sua contribuição para o estabelecimento de laços diplomáticos sino-americanos.
Repercussão global
Líderes mundiais, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, prestaram homenagens a Carter. Lula ressaltou seu papel na defesa dos direitos humanos e na luta contra a ditadura militar brasileira, além de sua contribuição para a paz global. “Jimmy Carter será lembrado como um defensor incansável da democracia, da paz e da justiça social”, afirmou o presidente brasileiro.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também expressou pesar, destacando os esforços de Carter em favor de melhores relações entre Cuba e os EUA. "Nosso povo recordará com gratidão os seus esforços em favor da liberdade dos Cinco e sua oposição à prisão de Guantánamo", escreveu.
Um século de história
Nascido em 1º de outubro de 1924, Jimmy Carter foi o presidente mais longevo da história dos EUA e o único a atingir um século de vida. Apesar de deixar a presidência com baixa popularidade, seu trabalho humanitário e diplomático após o mandato transformou sua reputação.
"Jimmy Carter conseguiu a façanha de ter um legado como ex-presidente tão importante quanto sua atuação na Casa Branca", escreveu Lula. Seu compromisso com os direitos humanos, a diplomacia e a paz continuará sendo lembrado como uma inspiração global.