Falas de 2025
Tarcísio de Freitas (governador de SP) — 29/09/2025
“Sou favorável a uma anistia como ‘fator de pacificação’.”Flávio Bolsonaro (senador, PL-RJ) — setembro/2025
“Defendo a anistia como fator de pacificação, acredito na paz dialogada…”Rogério Marinho (senador, PL-RN) — fevereiro/2025
“Para pacificar o Brasil, é importante que haja anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.”Eduardo Bolsonaro (deputado, PL-SP) — 29/09/2025
“Somente a anistia vai pacificar o Brasil.”Nikolas Ferreira (deputado, PL-MG) — julho/2025
“Paute a anistia ampla, geral e irrestrita… Dê o primeiro passo para pacificar o Brasil, presidente.”Bia Kicis (deputada, PL-DF) — setembro/2025
“Chega de injustiça… Precisamos buscar a pacificação nacional. Por isso, defendo a anistia ampla, geral e irrestrita.”Sóstenes Cavalcante (líder do PL na Câmara) — 18/09/2025
“Vamos… caminhar rumo à pacificação.”Magno Malta (senador, PL-ES) — 2025
“O Brasil só alcançará a verdadeira pacificação…”Romeu Zema (governador de MG, Novo) — setembro/2025
“Defende anistia a Bolsonaro e pede ‘pacificação’ política no Brasil.”Ronaldo Caiado (governador de GO, União Brasil) — 12/09/2025
“Anistia pela pacificação nacional.”Hamilton Mourão (senador, Republicanos-RS) — 06/09/2025
“Estamos numa situação de divisão no país. Para romper isso tem que haver uma pacificação. A anistia seria importante para essa pacificação…”Tarcísio de Freitas (governador de SP) — 29/09/2025 (após visita a Bolsonaro)
“Defendo a aprovação de uma anistia para pacificação.”
O discurso da pacificação sob suspeita
É, no mínimo, irônico — para não dizer ridículo — ver autoridades públicas brasileiras, sobretudo da direita, surgirem diante das câmeras para falar em “pacificação” do país a partir da anistia aos condenados do 8 de janeiro.
Onde estavam estes pacificadores quando ônibus foram incendiados em Brasília, na noite da diplomação de Luiz Inácio Lula da Silva? Onde estavam quando um grupo de radicais tentou explodir o aeroporto da capital federal? Onde estavam quando vândalos depredaram a sede do Supremo Tribunal Federal em plena Praça dos Três Poderes? Onde estavam, afinal, quando circulavam planos explícitos de assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes?
Nenhum desses episódios foi acompanhado de apelos à conciliação. Ao contrário: foram momentos de silêncio cúmplice ou, em muitos casos, de estímulo disfarçado, quando não de franca omissão. Agora, porém, quando o Estado de Direito começa a cobrar sua fatura com condenações firmadas pelo STF, eis que surge a súbita preocupação com a “pacificação nacional”.
A pergunta que se impõe é simples: que país esses senhores estão tentando pacificar? Quer dizer que uma sucessão de arbitrariedades, crimes e ameaças ao regime democrático pode ser cometida sem que se fale em ordem ou punição, mas, ao primeiro sinal de responsabilização, a pauta nacional passa a ser anistia ou não-pacificação?
Mais grave ainda: o que pretendem esses políticos se a anistia não vier? Voltarão a insuflar as mesmas turbas que colocaram o Brasil na beira do abismo institucional em 2022 e 2023?
Registro uma convicção: o discurso da pacificação soa menos como um gesto de grandeza e mais como a tentativa desesperada de apagar as consequências de atos que eles mesmos ajudaram a semear. E um país não se pacifica negando a Justiça: ao contrário, é a certeza da punição que garante a verdadeira reconciliação democrática.