A União Europeia e o Mercosul assinaram neste sábado (27) um acordo comercial negociado há mais de 25 anos. O tratado cria a maior área de livre comércio do mundo, mas ainda passará por revisão jurídica, tradução e aprovação parlamentar antes de entrar em vigor.
O que aconteceu
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinou no Paraguai o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A cerimônia ocorreu no país que atualmente exerce a presidência rotativa do bloco sul-americano, após os 27 Estados-membros da UE concederem aval político ao texto.
O tratado estabelece a maior área de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões. Apesar da assinatura, o acordo não entra em vigor de imediato. Ele ainda será submetido a revisão jurídica e traduzido para todas as línguas oficiais dos países envolvidos, processo que deve levar ao menos um ano.
No Brasil, o governo avalia impactos positivos amplos. O ministro Geraldo Alckmin afirmou que a abertura comercial tende a gerar empregos, aumentar renda e fortalecer agronegócio, indústria e serviços. Já na Europa, a expectativa é de forte redução tarifária, com estimativa de eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em impostos sobre exportações. Atualmente, produtos europeus enfrentam tarifas elevadas no Mercosul.
Apesar do entusiasmo oficial, há resistências. No Brasil, a indústria de transformação alerta para riscos à competitividade e defende a superação de entraves estruturais, como juros altos e sistema tributário complexo. Na Europa, agricultores, especialmente na França, protestam contra o acordo, temendo concorrência de produtos sul-americanos.
Para reduzir objeções, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas, como controles mais rigorosos de pesticidas, criação de um fundo de crise e compromissos sobre fertilizantes. O acordo ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu, onde parte significativa dos eurodeputados já sinaliza oposição, podendo atrasar ou barrar sua ratificação.