Um grupo de turistas viveu momentos de tensão na manhã desta segunda-feira (20) no Rio de Janeiro. Enquanto acompanhavam o amanhecer no topo do Morro Dois Irmãos, os visitantes ficaram "ilhados" devido a um intenso tiroteio no entorno da trilha do Vidigal, impossibilitando a descida por mais de 30 minutos.
Resgate e Operação de Segurança
A descida só foi possível por volta das 7h20, graças a uma força-tarefa organizada para garantir a segurança dos visitantes. A operação de resgate contou com:
- Favela Turismo: Coordenação local e apoio logístico.
- Policiais Civis: Monitoramento da área crítica.
- Mototaxistas da comunidade: Responsáveis pelo transporte rápido dos turistas após a liberação da trilha.
Apesar do susto e do confinamento temporário, não houve registro de feridos entre os turistas.
Alvo da Operação: Líder criminoso da Bahia
O confronto foi resultado de uma operação conjunta entre a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público da Bahia. O objetivo principal era a captura de Ednaldo Pereira Souza, o "Dadá", apontado como um dos líderes criminosos mais procurados da Bahia.
Detalhes sobre o investigado:
- Fuga: Dadá estava foragido de um presídio baiano desde 2024.
- Esconderijo: O criminoso teria alugado um imóvel no Vidigal para passar o feriado prolongado.
- Fuga Estratégica: Segundo a polícia, o alvo conseguiu escapar por uma "passagem secreta" na comunidade, deixando para trás a esposa e os filhos.
Até o momento, a polícia informou que não houve prisões efetuadas durante a ação. A trilha do Morro Dois Irmãos segue sendo monitorada, mas o fluxo de visitantes foi impactado pela instabilidade na região.
O turismo em favelas
O turismo em favelas no Rio de Janeiro, conhecido internacionalmente como favela tour, transformou comunidades como Vidigal, Rocinha e Santa Marta em destinos cobiçados. Longe de ser apenas uma visita contemplativa, essa modalidade oferece uma imersão na cultura urbana, na gastronomia local e em visuais que figuram entre os mais bonitos da "Cidade Maravilhosa".
O grande atrativo para os viajantes é a autenticidade. Subir o Vidigal para trilhar o Morro Dois Irmãos ou curtir um samba no Morro da Babilônia permite ao turista entender a dinâmica social do Rio além dos cartões-postais convencionais. Além disso, o setor gera renda direta para guias locais, artesãos e empreendedores das comunidades, fomentando a economia circular.
No entanto, o segmento exige planejamento e responsabilidade. A segurança é um fator variável, e o turismo ético preza pelo respeito à privacidade dos moradores e pelo apoio a empresas que reinvestem na própria favela. Quando feito de forma consciente, o turismo em favelas quebra estigmas e revela a resiliência e o talento que pulsam nas periferias cariocas.